Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

No Recife, Polícia deteve dois manifestantes em ato pró-Bolsonaro

Autoridades dizem que cumpriram decisão do governo estadual, que proíbe aglomeração em eventos com mais de 500 pessoas; apoiadores criticam postura dos policiais

Vinícius Brito, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 18h13

RECIFE – Em meio à pandemia do novo coronavírus, o ato em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, terminou com dois manifestantes autuados pela Polícia Civil.

Um rapaz de 21 anos de idade, sem identidade revelada, foi autuado pelos policiais por infringir determinação do poder público. O governo de Pernambuco publicou no dia 14 de março o decreto 48.809/20, que proíbe aglomeração em eventos com mais de 500 pessoas. A medida visa a evitar o avanço da doença Covid-19 no Estado.

Um homem de 57 anos, sem identidade divulgada pela Polícia Civil, também foi autuado por desacato à autoridade policial em tentativa de invasão à delegacia. Os dois manifestantes foram encaminhados à delegacia de Boa Viagem e liberados após o Termo Circunstanciado de Ocorrência, procedimento para crimes menos ofensivos.

No Twitter, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) chegou a falar em fascismo ao comentar o caso. “Prender um cara porque estava segurando uma plaquinha? Já sei que vão falar do coronavírus. Mas o corona só se pega em manifestação ou em estádio e ônibus também? Revolta seletiva do governador? É o Estado acima das liberdades. Se isso não é fascismo eu não sei o que é”, escreveu na rede social.

Presidente do grupo Endireita Pernambuco, Nelson Monteiro presenciou a situação no trio em Boa Viagem. “Ele (o manifestante de 21 anos) subiu no trio e pediu uma vaia para o governador (Paulo Câmara, do PSB) e, quando desceu do trio, os policiais o convidaram a entrar no carro da polícia para levá-lo para a delegacia”, conta.

Monteiro não confirma que o rapaz seja líder de grupos pró-Bolsonaro e critica a intervenção da polícia. “É um manifestante qualquer, a gente acha que foi arbitrária a atitude da polícia, porque a manifestação realmente aconteceu e foi o povo que foi para as ruas. O movimento não convocou o ato”, afirma.

Simpatizantes de Bolsonaro se reuniram no dia 13 de março para decidir sobre a manifestação pró-governo, mesmo contra recomendação do presidente, à época. “Quando foi no dia 14, editaram um decreto do governo de Pernambuco que proibia aglomeração com mais de 500 pessoas. Aí a gente conversou novamente com os líderes e decidiu cancelar o ato. O problema é que o povo foi para as ruas por si só”, declara o presidente do Endireita Pernambuco.

Além do Endireita Pernambuco, pelo menos sete grupos de direita, como o Endireita Recife, Grupo B38, Direita Recife, Confederação Direita Brasil, Direita Fiel, Nova Direita Nordeste, articularam os atos de domingo.

A Polícia Civil de Pernambuco reforçou, em nota, que cumpre a recomendação das autoridades sanitárias para conter o avanço do novo coronavírus em Pernambuco e afirmou que não há “qualquer avaliação da orientação ou motivação do protesto em questão” sobre os manifestantes autuados.

‘Ele não é uma liderança’, diz líder de movimento

Diretor financeiro do grupo Brasil Conservador B38, o advogado Gustavo de Holanda acompanhou o manifestante de 21 anos levado à delegacia. “Consciente do decreto do governo, nós adiamos nossa participação. Resolvemos que não iríamos, mas alguém do trio foi e o rapaz subiu. Ele era mais um cidadão e não uma liderança. Afirmo porque estou há mais de um ano e conheço os líderes locais e nacionais”, diz.

Segundo o advogado, o rapaz de 21 anos não contratou o trio nem convocou o ato pró-Bolsonaro na Avenida Boa Viagem, mas teria respondido afirmativamente a perguntas da polícia sobre o papel de liderança dele na manifestação. Holanda chama a postura de “falha de comunicação” e acredita que houve uma “postura autoritária do governador do estado, apesar de usar o pretexto do coronavírus”.

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