No PV há três anos, filha de Chico Mendes festeja filiação de Marina

Elenira diz que o partido é o que mais se identifica com a luta de seu pai, assassinado em Xapuri quando ela tinha quatro anos, em 1988

João Domingos, RIO BRANCO, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

Ao deixar o PT, partido no qual militou por 30 anos, e se definir pelo PV, a senadora Marina Silva (AC) ocupará a mesma trincheira de Elenira Mendes, filha de Chico Mendes, grande inspirador da ex-ministra. Elenira tinha quatro anos em dezembro de 1988, quando o pai foi assassinado no quintal de casa, em Xapuri, vítima de uma tocaia feita por Darci Alves da Silva. Condenado a 19 anos e meio de prisão, Darci já cumpriu a pena.Hoje com 25 anos, Elenira filiou-se ao PV há três anos. Formou-se em Administração de Empresas, com especialização em recursos ambientais, e ocupa três cargos simultaneamente: é diretora da Secretaria da Mulher do Partido Verde, secretária do Meio Ambiente da Prefeitura de Xapuri e presidente do Instituto Chico Mendes, que funciona na casa onde ela nasceu e onde o pai foi morto, fundado por ela, em 2006. Pretende candidatar-se a deputada federal no ano que vem."Optei pelo PV porque acredito que hoje é o partido que mais se identifica com a luta de meu pai", disse Elenira ao Estado. Ela acredita que a chegada de Marina Silva ao PV levará ao partido a dar um salto de qualidade, visto que a ex-ministra representa integralmente a figura da luta pelo desenvolvimento sustentável. "E a candidatura dela à Presidência da República fará com que os olhos de toda a sociedade se voltem para o PV."Quando anunciou na quarta-feira que estava saindo do PT, Marina admitiu um desencanto com a militância partidária e com a política institucional. Disse até que vinha pensando em abandonar a política para se dedicar a outros projetos envolvendo a questão ambiental.ELEITORADOO convite feito pelo PV, porém, reavivou na senadora e ex-ministra do Meio Ambiente o desejo de continuar e tornar-se candidata à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano que vem.Nos bastidores da política acreana corre a informação de que, além do desânimo que sentia desde a saída do ministério, em 2008, Marina sabia que não teria uma eleição garantida pela frente caso disputasse novamente o mandato de senadora. Se a causa que ela defende encontra simpatia nas classes A e B do Brasil e tem tantos adeptos nos países europeus, na realidade acreana a atrapalha. Afinal, para ser eleita ela tem de disputar os votos de eleitores do Acre. E boa parte atribui a ela, com algum exagero, a paralisação de obras de estradas e de avanços da fronteira da agropecuária.O fato de ter saído do PT não deve provocar problemas para Marina na política regional. O PT local divulgou nota na qual reconhece o papel histórico da senadora na construção do partido ao longo dos últimos 30 anos. "Lamentamos sua saída do partido, mas respeitamos sua decisão. Sem dúvida, estamos diante de um dos momentos mais difíceis da história do PT no Acre, mas, como diz a própria Marina, continuaremos juntos por caminhos diversos, o que, claramente, reafirma seu compromisso com o projeto de desenvolvimento sustentável em curso no Acre." Na mesma nota, o PT anunciou a decisão de não reivindicar o mandato de Marina.BIBLIOTECAAntes que Marina tomasse a decisão de trocar de partido, o Ministério Público do Acre impôs uma derrota a ela. Exigiu que seu nome fosse retirado da Biblioteca da Floresta - que fica em Rio Branco e é especializada em autores e assuntos da Amazônia -, por considerar que a Constituição proíbe esse tipo de homenagem a pessoas vivas em prédios públicos.O nome de Marina saiu da placa principal, mas numa outra, pequena, ainda consta lá a homenagem: "Biblioteca da Floresta Ministra Marina Silva, inaugurada em 21 de dezembro de 2006". Assinam a placa o presidente Lula, o então governador Jorge Viana e seu vice, Binho Marques, hoje governador.

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