No primeiro dia, grupo do presidente sai fortalecido

Antigo Campo Majoritário aprova reforma do partido e saída para evitar punições internas no caso do mensalão

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2001 | 00h00

O antigo Campo Majoritário saiu fortalecido no primeiro dia do 3º Congresso do PT. De uma só vez, a corrente do presidente Lula, do presidente do partido, Ricardo Berzoini, e do ex-ministro José Dirceu conseguiu aprovar três resoluções que reformam a estrutura do PT, encurtam o mandato da atual direção em 11 meses, propõem candidatura própria para a eleição presidencial de 2010 e enterram o fantasma do mensalão sem mais expurgos éticos. De quebra, ainda teve uma recaída socialista.Os textos receberão emendas em plenário, na tarde de hoje para só depois comporem a resolução final. As maiores polêmicas, até agora, ficam por conta da criação de uma corregedoria e de um código de ética, bandeiras da chapa Mensagem ao Partido, capitaneada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Há divergências, ainda, em relação à proposta de uma Assembléia Constituinte exclusiva para votar a reforma política e de um plebiscito para questionar a reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, privatizada em 1997, no governo de Fernando Henrique Cardoso.O presidente Lula tem simpatia pela proposta de Constituinte exclusiva, mas já pediu aos petistas de sua tendência que tentem barrar a idéia de reestatização da Vale. Os documentos que receberam sinal verde do plenário integram três eixos de debates: O Brasil que Queremos, O Socialismo Petista e PT - Concepção e Funcionamento".A saída para curar as feridas sem ajuste de contas - o único punido até agora foi o ex-tesoureiro Delúbio Soares, expulso do PT - agradou à maioria das facções. Mas o grupo de Tarso vai marcar posição na defesa de um código de ética e de uma corregedoria. O deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) avalia que "a corregedoria deveria ser uma questão central no debate" do PT. "Será profundamente decepcionante se essa sugestão não for examinada com a devida seriedade pelo nosso Congresso", afirmou. "Não adianta termos código de ética se não tivermos instrumento para fiscalização das regras."Jilmar Tatto (SP), deputado federal em primeiro mandato, discorda. Um dos vice-presidentes do PT, Jilmar apela até aos céus para explicar por que não é conveniente instalar uma corregedoria. "O PT não é juízo final nem delegacia de polícia. Vamos deixar quem errou se acertar com Deus."Martins Cardozo insiste em que a proposta de antecipar a eleição da cúpula petista para novembro - quando o mandato deveria ir até outubro de 2008 - não pode consumir todas as energias no encontro. "Eu acho que devemos nos ocupar mais dos rumos políticos do PT do que dessas questões mais imediatas, de disputa interna", observou.

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