No Pontal, 13 sem-terra são presos por roubar gado

Treze militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) foram presos ontem, logo após terem abatido dois bois na Fazenda Tupiconã, em Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema, área invadida na semana passada. Outros cinco sem-terra conseguiram escapar do cerco policial. O grupo foi flagrado por uma patrulha da Polícia Militar quando transportava parte da carne para o acampamento, no interior da fazenda. Os policiais localizaram as carcaças das reses a menos de um quilômetro do acampamento. No local, havia sangue, cabeças e vísceras dos animais. A carne estava sendo levada com o couro. Os bois mortos pertenciam ao fazendeiro Sérgio Guimarães. Os militantes reagiram à ordem de prisão. Outros sem-terra acorreram ao local, cercando a viatura. Durante a confusão, cinco militantes fugiram pelo pasto. Os policiais, que chegaram a empunhar suas armas, pediram reforço. Oito viaturas de Epitácio foram até a fazenda. Os policiais tiveram muito trabalho para dispersar a aglomeração. A carne apreendida e os sem-terra detidos foram levados para a delegacia de polícia do município. O delegado Marcos Antonio Mantovani decidiu autuar os militantes por furto qualificado e formação de quadrilha. Os acusados foram levados para a cadeia pública da cidade e devem responder aos processos presos, pois os crimes são inafiançáveis. A pena para furto qualificado vai de 2 a 8 anos de reclusão e para formação de quadrilha ou bando, de 1 a 3 anos de reclusão. O coordenador regional do MST, Edi Ronan, disse que o movimento não aprova o abate de bois. Apesar de terem sido presos no acampamento, ele disse não ter certeza se os envolvidos eram do MST. "Nossa orientação é contrária a esse tipo de coisa e quem age assim é desligado do movimento." Fazendeiros da região vinham reclamando do furto e abate de bois. Dezenas de ocorrências foram registradas, nos últimos meses, nas delegacias. Na semana passada, sete bois foram abatidos em duas fazendas próximas do acampamento de Epitácio. As cabeças dos animais foram fincadas em palanques de cerca. O juiz de Presidente Epitácio, Fernando França Vianna, rejeitou ontem recurso do MST contra a liminar de reintegração de posse da Fazenda Tupiconã, dada na semana passada. Assim, os sem-terra serão notificados para desocupar a área. InvasãoCerca de 600 integrantes do MST atenderam ontem a outra ordem judicial, dessa vez para desocupar a Fazenda Santa Fé, em Sandovalina. Mas o mesmo grupo invadiu a Fazenda São Domingos, em Narandiba. Foi a sétima invasão do MST em 11 dias no Pontal do Paranapanema. Três das fazendas invadidas já foram desocupadas. O MST tinha até o dia 25 para sair da Santa Fé, conforme a liminar dada pela Justiça, mas abriu mão do prazo restante para "aproveitar o momento propício", de acordo com um dos líderes, e fazer uma nova invasão. Na fazenda, pertencente aos irmãos Azis e Michel Mellen, eles não encontraram resistência. O Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) considera a área particular, pois não está incluída nos perímetros que são objeto de ações discriminatórias. Dados do Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), órgão da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado na região, indicam que a fazenda, de 2,1 mil hectares, abriga cerca de 3 mil cabeças de gado e é produtiva. Os proprietários não foram encontrados.

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