Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

'No plenário, o resultado será diferente', diz líder do governo sobre votação da comissão

Segundo Humberto Costa, placar da Comissão Especial do Impeachment não o surpreendeu pois os líderes dos partidos 'escolheram a dedo' para o colegiado parlamentares favoráveis ao afastamento de Dilma

Isabela Bonfim, Luísa Martins e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2016 | 14h38

BRASÍLIA - A votação na Comissão Especial do Impeachment do Senado terminou em 15 a 5 pela admissibilidade do processo, mas o líder do governo, senador Humberto Costa (PT-PE), afirmou ter confiança de que o resultado será diferente no plenário. "Ainda que possamos dizer que não é certa uma possibilidade da nossa vitória, teremos sem dúvida o número de votos que, lá na frente, será suficiente para impedirmos a materialização desse golpe", disse.

Costa afirmou que não foi surpreendido pelo resultado da votação, pois os líderes dos partidos "escolheram a dedo" os membros da comissão que já tinham posicionamento firmado a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Porém, se disse satisfeito com a discussão que os governistas propuseram durante as sessões da comissão: "A participação dos governistas foi muito cristalina e deixou absolutamente claro que o que estão chamando de crime é apenas um pretexto para um processo político de retirada da presidente."

Sobre o relatório lido quarta-feira pelo senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), voltou a dizer que tratou-se de um "contorcionismo retórico" que não traz "qualquer evidência de qualquer crime político ou de responsabilidade praticado por Dilma."

Segundo o líder, ainda não há posicionamento firmado sobre a possibilidade de entrar com recurso junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) - assunto que deve ser discutido no decorrer do dia entre a base do governo. Ele seguiu chamando o impeachment de "golpe". "O golpe de hoje não precisa ter armas e paredões para se concretizar. Basta a propagação de uma série de mentiras, de argumentos sofismáticos e, acima de tudo, uma maioria oportunista que quer chegar ao poder sem ter o voto da população", criticou.

Recurso. Após a sessão da comissão nesta sexta, Anastasia defendeu o direito do governo de recorrer do processo ao STF.

"Esse recurso não depende de mim. Eles têm todos os meios jurídicos à disposição. Sabemos que toda a parte formal dos ritos evidentemente podem ser questionadas. Mas toda a competência do mérito da decisão, cabe ao Senado", disse.

O senador parabenizou os trabalhos da comissão, ressaltou que esta primeira decisão diz respeito apenas à admissibilidade do processo e que seu relatório ainda não trata do mérito da questão, ou de culpa da presidente. Entretanto, caso a maioria aprove a admissibilidade na votação marcada para a próxima quarta-feira, 11, no plenário do Senado, a presidente Dilma já será afastada por 180 dias.

Ataques. Em seu discurso final na comissão, o senador chamou de "mau caratismo" a atitude de alguns senadores que atacaram seu relatório e sua administração como governador de Minas Gerais. O senador reiterou sua insatisfação com as críticas. "Ataques políticos são naturais. Esta é uma Casa política e estamos preparados para debater no mais alto nível. Mas quando se tratam de questões pessoais, evidentemente não fazem parte desse processo e expressam tão somente a característica triste de alguns."

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