Pedro Ribas/ANPr
Pedro Ribas/ANPr

No Paraná, greve leva tucano a novo recuo sobre pacote

Professores promovem maior manifestação contra ajuste fiscal de Beto Richa, que enfrenta crise de fluxo de caixa

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 18h23

Atualizado às 00h10

Curitiba - Pressionado por milhares de manifestantes que foram do centro de Curitiba até o Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense, o governador Beto Richa (PSDB) fez novos recuos em relação ao pacote de ajuste fiscal anunciado após a reeleição, mas não conseguiu o compromisso de que os professores da rede pública voltarão ao trabalho após 18 dias de greve.

Segundo o presidente do sindicato da categoria (APP-Sindicato), Hermes Leão, o comando de greve vai se reunir nesta sexta-feira, 27, para avaliar o resultado da reunião desta quarta com os secretários da Educação, Fernando Xavier Ferreira, e da Casa Civil, Eduardo Sciarra. Depois, as propostas serão levadas aos 29 comandos regionais de greve para, só então, decidirem se convocam uma assembleia para votar a continuidade ou não da paralisação.

Na prática, isso significa que a paralisação continua até o início da próxima semana. Na reunião, Sciarra havia pedido que os professores voltassem às aulas na segunda-feira. Na negociação, representantes do governo apresentaram aos grevistas um levantamento mostrando que as férias de julho já foram comprometidas.

Nesta quarta, os representantes do governo atenderam a mais um item da pauta de reivindicação dos professores ao prometerem pagar em uma única parcela R$ 116 milhões referentes a férias em atraso. Richa queria saldar a dívida em parcelas.

Nas duas rodadas de negociações anteriores, o governo já havia se comprometido a pagar integralmente as rescisões salariais de 29 mil professores temporários que foram demitidos, tirar da pauta da Assembleia Legislativa projetos de lei incluídos no “pacotaço” que alterem direitos trabalhistas e repassar R$ 70 milhões para o custeio das universidades estaduais. Indagado sobre a origem desses recursos, Sciarra disse que a fonte são “arrecadações do governo”.

Pressão. Em meio a uma grave crise de fluxo de caixa, o governo Beto Richa tem enfrentado forte pressão popular contra os dois pacotes de ajuste fiscal anunciados em novembro e em janeiro. Entre outras medidas, estão previstos cortes de gastos em quase todos os setores da administração, extinção de secretarias e aumento de impostos.

Sindicatos de vários setores do funcionalismo já demonstraram insatisfação com o “pacotaço” mas o principal foco de resistência são os professores. Em menos de dois meses do segundo mandato do tucano, os professores invadiram duas vezes a Assembleia para evitar que os projetos fossem votados. Ontem, fizeram a maior manifestação até agora, levando milhares de pessoas até o Palácio Iguaçu. Segundo os grevistas, eram 40 mil. A Polícia Militar fala em pouco mais de 10 mil.

O protesto dos professores foi engrossado por estudantes e representantes de outras categorias do funcionalismo, como saúde, segurança, Judiciário, Defensoria Pública e transportes. Além disso, cidadãos comuns descontentes com os ajustes se juntaram à manifestação.

“Estou aqui em defesa da educação e porque estas medidas afetam todo mundo com os aumentos de impostos”, disse o operador de informática João Roberto Westin, de 48 anos.

Em entrevista à retransmissora da TV Globo, Richa demonstrou otimismo em relação ao fim da greve e admitiu erros na condução do ajuste. Para evitar que a insatisfação se espalhe de forma generalizada, o governo prometeu rever a medida que mais polêmica tem provocado - as mudanças no regime previdenciário dos servidores - e só reapresentá-la após diálogo com os sindicatos.

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