No Paraguai, Lula diz que relação com Uribe é extraordinária

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a relação entre o Brasil e a Colômbia segue sendo "extraordinária", apesar das recentes tensões, e que espera um convite de seu colega Álvaro Uribe para jantar na próxima semana.

REUTERS

30 Julho 2010 | 20h19

A relação entre ambos os países ficou tensa nos últimos dias, quando a Colômbia lamentou declarações de Lula, segundo as quais a recente e áspera crise diplomática entre Bogotá e Caracas seria apenas um "conflito verbal", algo que o presidente comentou brevemente em sua visita ao Paraguai.

"Sou amigo de Uribe, tenho com o presidente Uribe uma relação de oito anos extraordinária da mesma maneira que espero ter nos próximos cinco meses com o presidente (Juan Manuel) Santos", disse Lula em entrevista coletiva em Villa Hayes, 30 quilômetros a noroeste de Assunção.

"Não costumo confundir minha relação de chefe de Estado com minha relação pessoal com as pessoas e muito menos uma divergência pessoal que atrapalhe uma relação de um Estado com outro Estado", acrescentou Lula, que deixará o cargo em janeiro depois de oito anos como presidente.

O porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, indicou mais cedo a jornalistas que Lula havia telefonado a Santos, uma conversa "que ajudou bastante... no desanuviamento das tensões."

Lula disse que terá uma reunião bilateral com a Venezuela em 6 de agosto e que espera que o presidente colombiano Uribe o convide para jantar no mesmo dia, na véspera da posse de Santos.

"Obviamente para que dois presidentes se deem bem, os dois não precisam torcer pelo Brasil ao mesmo tempo, nem os dois torcer pela Colômbia ao mesmo tempo", disse Lula.

"Cada um torce por seu time e cada um não renuncia às suas convicções e as relações continuam no campo da diplomacia sendo extraordinárias", acrescentou.

Bogotá disse que o Brasil estava "ignorando a ameaça que para a Colômbia e o continente representa a presença dos terroristas das Farc" na Venezuela.

NÃO À GUERRA

O governo de Uribe denunciou há uma semana à Organização dos Estados Americanos (OEA) que cerca de 1.500 guerrilheiros estariam escondidos no território venezuelano e pediu uma comissão especial para investigar a situação.

O mandatário venezuelano, Hugo Chávez, negou as acusações e rompeu as relações diplomáticas com o país vizinho, além de colocar em alerta suas forças armadas, na pior crise entre ambos os países em mais de duas décadas.

Lula disse no Paraguai que Colômbia e Venezuela deviam restabelecer suas relações diplomáticas para que o fluxo de comércio e a balança comercial entre ambos não sejam afetados.

"Os dois países precisam um do outro", declarou.

Consultado sobre a origem do conflito, Lula disse que não podia determinar se as provas apresentadas pela Colômbia à OEA "foram contundentes ou não porque não as vi ... mas vejo que esse processo vai continuar sendo discutido."

"Acho que a única coisa que não pode existir nas divergências entre Uribe e Chávez é a palavra guerra", defendeu.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)

Mais conteúdo sobre:
POLITICA LULA PARAGUAI*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.