No palanque, promessa de eleger ''sucessora''

Presidente inaugura obra do PAC junto com Dilma e defende Bolsa-Família

Clarissa Oliveira, PALMEIRA DOS ÍNDIOS, O Estadao de S.Paulo

15 de julho de 2009 | 00h00

Após um período de calmaria para amenizar as críticas da oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou ontem com força total a campanha para eleger a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto. Em visita a Alagoas, acompanhado da ministra, o presidente disse que vai eleger sua "sucessora". E já deu a linha do discurso da campanha, ao destacar que o programa Bolsa-Família, estrela de sua administração na área social, não é "esmola". "Está chegando o ano eleitoral. E eu não posso falar de eleição. Mas eu só vou dizer uma coisa para vocês. Pode escrever. Eu vou fazer, vou ajudar a eleger a minha sucessora", disse Lula. Após uma longa pausa para aplausos, o presidente emendou: "Ou sucessor". A obra inaugurada ontem, em Palmeira dos Índios (AL), faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), coordenado por Dilma, e teve contrapartida do governo alagoano. Ao iniciar o discurso, ao lado do governador tucano Teotônio Vilela Filho, Lula havia dito justamente que a parceria servia de prova de que o objetivo não era buscar votos. "O que aconteceu aqui é que nós não estamos pensando em 2010", disse Lula, que foi exaustivamente elogiado pelo tucano em seu próprio discurso. Ainda assim, ao final da fala, o presidente voltou a falar da disputa eleitoral, dessa vez criticando um discurso semelhante ao que guiou o início de sua vida política. "Na época das eleições, pobre tem um valor incomensurável. A coisa mais habitual em época de eleição é a gente ver candidato xingar banqueiro, xingar grande empresário, xingar usineiro. E o povo é maravilhoso. Passadas as eleições, o povo nunca mais é chamado para nada", disse Lula. Ao exaltar sua preocupação com o Nordeste, Lula destacou que, por conta das dificuldades da região, é justamente ali que está a maioria dos beneficiários da Bolsa-Família. "Muita gente, quando nós criamos o Bolsa-Família, falou que era esmola. Mas quem fala que é esmola normalmente é gente que não precisa do Bolsa-Família", rebateu.Ainda ao falar sobre a região, Lula disse que os resultados de sua gestão obrigarão sucessores a darem mais atenção ao Nordeste. "Quem vier depois de mim terá como paradigma outro padrão, um padrão de respeito ao nordestino." Dilma, que discursou antes de Lula, passou longe do tema da eleição.Depois de trocar o nome da cidade por Palmeira das Missões, a ministra investiu na aproximação com o Nordeste, base eleitoral de Lula. "Precisou outro nordestino chegar à Presidência do Brasil para que a vida difícil desse povo começasse a mudar", disse Dilma, que também embarcou na tese de Lula. "Há muitos anos o Brasil tinha parado, não investia para melhorar a vida da população", afirmou a ministra. C.O.

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