No palanque, Lula compara Serra a Jânio e Collor

Em comício, petista citou ex-presidentes ao criticar renúncias de tucano; Dilma diz que Haddad, como ela em 2010, sofre campanha de ‘baixo nível’

Julia Duailibi e Guilherme Waltenberg, de O Estado de S.Paulo,

21 de outubro de 2012 | 01h05

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou neste sábado o candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB, José Serra, a Jânio Quadros e Fernando Collor, numa referência indireta às renúncias do tucano aos cargos de prefeito e governador.

Em comício do candidato do PT, Fernando Haddad, Lula reclamou dos ataques do PSDB, mas foi o autor das críticas mais duras a Serra. “Nosso adversário está cada dia mais raivoso, daqui a pouco vai aparecer na televisão babando de ódio”, declarou Lula para cerca de 3 mil pessoas em um ginásio na zona norte.

“Esse País teve um político que falava como esse (Serra). Falava que era o melhor, ofendia as pessoas, falava contra corrupção toda hora. Esta pessoa não conseguiu ser vereador porque saiu para ser prefeito. Não conseguiu ser prefeito porque saiu para ser governador. Não conseguiu ser governador porque saiu para ser presidente. Ou seja: foi tudo e não foi nada”, disse o petista, ao lado da presidente Dilma Rousseff e de oito ministros.

Jânio licenciou-se da Prefeitura para se candidatar a governador. Em 1960, foi eleito presidente. Renunciou no ano seguinte, culpando “forças ocultas”. Em campanhas, adotava discurso moralista contra a corrupção, dizendo que pretendia “varrê-la”. A campanha de Serra liga Haddad a integrantes do PT condenados no mensalão, como o ex-ministro José Dirceu.

“Esse cidadão (Serra) também queria ser prefeito. Jurava amor ao povo da Mooca, ao povo de São Paulo. Não aguentou a primeira enchente e caiu fora para ser candidato a governador. Não conseguiu ficar, porque o bicho tem uma sede de poder inigualável”, atacou Lula. Em 2006, um ano e três meses depois de eleito prefeito, Serra renunciou para disputar o governo do Estado. Em 2010, nove meses antes de terminar o mandato, renunciou para concorrer à Presidência. A renúncia em 2006 é apontada por pesquisas dos tucanos como uma das causas da sua alta rejeição.

Lula falou então de Collor, senador pelo PTB, aliado do governo do PT: “Não foi prefeito, não foi governador e não foi presidente. Não conseguiu cumprir o mandato. As pessoas precisam aprender a criar vergonha e cumprir o mandato”. Collor renunciou à Prefeitura de Maceió em 1982 e ao governo de Alagoas em 1989 para disputar a Presidência.

Para o ex-presidente, Serra “deveria ficar quieto e esperar para disputar com ela (Dilma) em 2014”. “Ou quem sabe disputar 2018, 2030, 2040. Mas querer voltar a disputar a Prefeitura é imaginar que o povo da cidade mais importante da América Latina é bobo”, completou o petista.

 

Paz e amor. Apesar das críticas ao tom da campanha tucana, o PT também veiculou ataques a Serra e à gestão de Gilberto Kassab (PSD). A presidente, no entanto, criticou o tucano ao falar da eleição de 2010. “Um pouco do que o Haddad está passando eu passei”, disse. “A mesma campanha de baixo nível que fizeram contra o Haddad, fizeram contra mim”, disse, citando críticas de que não teria competência. Haddad, líder nas pesquisas, falou em “adversário que entra em campo” na última semana da eleição: “a mentira”. Mais cedo, em outro evento, foi indagado se adotaria o slogan de Lula em 2002, o “Lulinha paz e amor”: “Estilo Haddad paz e amor sempre”.

Lula, Dilma e Haddad tentaram passar a imagem de que a eleição não está vencida. “A hora que vamos ganhar a eleição é a hora que o último voto tiver depositado na urna”, disse Dilma. /COLABOROU FELIPE FRAZÃO

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