No Nordeste, Lula diz que políticos têm de ser 'mais civilizados'

Diferentemente de Aracaju, presidente foi bem recebido em João Pessoa, onde lançou o PAC

Angela Lacerda, do Estadão,

26 de julho de 2007 | 21h00

Em discurso para uma platéia calorosa, de 800 pessoas, no Teatro Paulo Pontes, no Espaço Cultural de João Pessoa, o presidente Lula criticou os seus opositores e disse que a classe política precisa ser "mais civilizada". "Enquanto a classe dirigente fica brigando pequeno, com mesquinharia, o povo fica sofrendo, o povo fica na expectativa que apareça um milagroso para salvá-lo e não tem", disse ele sob aplausos.  Veja também:  Apesar da blindagem, Lula é vaiado ao lançar PAC em Aracaju Ele pregou ser preciso discernir o momento de fazer oposição e o momento de pensar o País. E reclamou que no Brasil a eleição não termina nunca. "Acabou uma eleição, ela continua, ela é eterna e você pode mandar qualquer projeto, pode ser para melhorar, mas se são contra o governo dizem eu voto contra, eu não voto favorável, não se preocupam sequer em analisar se aquilo vai beneficiar o povo do nosso País". O presidente pregou a necessidade de se ter políticas públicas justas, de se fazer parcerias, "É preciso que a gente contribua", independente do partido a que se pertença. "Não quero saber em quem o eleitor votou na eleição de outubro, se em mim ou no adversário", afirmou. "Acabou a eleição, agora fomos eleitos para governar este País". Só elogios Recebido aos gritos de "Lula" e de slogans de campanha, o presidente anunciou a liberação de R$ 316,8 milhões de recursos federais para o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que vai beneficiar 850 mil pessoas de cinco cidades de maior porte, incluindo a capital, com obras de saneamento e urbanização de favelas. Foi elogiado em todos os discursos, do arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, ao governador tucano Cássio Cunha Lima, todos favoráveis à transposição do Rio São Francisco. Cunha Lima frisou que o presidente tem o seu apoio "irrestrito, pleno e incondicional". Afirmou que a Paraíba "agradece de pé" - toda a platéia levantou, neste momento - e está unida em torno da integração do País. Acompanhado da ministra Dilma Rousseff e do ministro das Cidades Márcio Fortes, sua visita à Paraíba mereceu nota na imprensa local do presidente da Federação das Indústria da Paraíba, Francisco de Assis Benevides Gadelha. "Vamos ajudar o presidente nessa sua cruzada cívica de resgate de cidadania", conclamou.

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