No MA, PV faz campanha em favor de Dilma

Aliado do PMDB de Sarney, PV do Maranhão abandona Marina e faz campanha para petista

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 18h55

SÃO LUIS - Integrante histórico da cúpula do PV, o deputado Sarney Filho não faz campanha no Maranhão para a candidata do partido à Presidência da República, Marina Silva. O PV no Maranhão é aliado do PMDB, da governadora e candidata à reeleição, Roseana Sarney, que proíbe os verdes de pedirem voto para Marina Silva. A candidata de Roseana à sucessão presidencial é a petista Dilma Rousseff, aliada da peemedebista.

 

"Voto na Marina e ela (Roseana) na Dilma. Quando estou com Roseana no palanque dela não faço campanha para a Marina. Roseana não quer. Ela não deixa. Mas, meu partido está fazendo campanha para Marina", diz Sarney Filho, que é irmão de Roseana. "Não deixo mesmo ele pedir voto para a Marina", corrobora a governadora.

 

Na aliança de 16 partidos que apoiam a reeleição de Roseana, quem acaba sendo cabo eleitoral do PV no Maranhão é o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Na semana passada, o senador apareceu pelo menos uma vez pedindo votos para o candidato a deputado estadual Edilázio, que é do PV.

 

Marina Silva não aparece na campanha de ninguém do PV. Zequinha não pede votos nem na televisão nem em eventos privados de sua campanha para a presidenciável verde. Foi assim na semana passada quando promoveu uma reunião em uma casa cinematográfica, em bairro nobre de São Luís. O cenário serviu para gravar depoimentos de correligionários que, dois dias depois, estavam no ar no programa eleitoral de televisão do deputado.

 

Ao lado do pai José Sarney, Zequinha Sarney discursou e pediu votos para sua candidatura à reeleição. Em nenhum momento, no entanto, falou o nome de Marina.

 

Em seu discurso de pouco mais de dez minutos, o deputado ressaltou apenas as realizações de Roseana à frente do governo do Maranhão. Disse que o Estado saiu de "sete anos de desgoverno, sete anos das sete pragas do Egito", numa referência ao período em que a família Sarney está fora do poder no Estado. "Em sete anos não construíram um hospital. Agora tem 40 em construção. Queremos a eleição de Roseana", disse Zequinha, que não citou o nome de Dilma.

 

Com um adesivo de Zequinha com a logomarca do PV na lapela de seu indefectível jaquetão, o senador Sarney aproveitou o evento em prol do filho para pedir votos para Roseana - que, segundo ele, é "uma grande trabalhadora, uma grande filha - e Dilma Rousseff. Falou por quase meia hora: exaltou as qualidades do filho, ressaltando que ele é "uma criatura boa" e sempre pensou no bem das pessoas desde menino. Disse que Zequinha foi "o melhor ministro do Meio Ambiente" que o Brasil já teve. Por fim, o senador terminou seu discurso com tradicional "muito obrigado brasileiros e brasileiras", bordão que usava na época em que foi presidente da República (1985 a 1990).

 

A reportagem do Estado ouviu os discursos de Zequinha e José Sarney do lado de fora da casa em que foram gravados os depoimentos de apoio à reeleição do deputado. Cerca de 200 convidados lotavam os jardins da casa que, segundo Zequinha, era de amigos seus. Mal viu os repórteres do Estado, Zequinha Sarney pediu delicadamente que eles saíssem da casa, sob a alegação de que era uma propriedade particular. "Fico mais a vontade para falar", justificou. "Não, deixa eles. Se quiserem podem ficar. O Estado de S. Paulo nos honra com a presença", interferiu rapidamente o senador Sarney. A reportagem resolveu atender ao pedido de Zequinha e saiu da residência.

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