No lugar de prótese, dentes de verdade

Um casal brasileiro de cirurgiões-dentistas obteve resultados inéditos no uso de uma tecnologia que visa a substituir próteses e dentaduras por dentes de verdade, produzidos em laboratório. Sílvio e Mônica Duailibi, pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), utilizaram a engenharia de tecidos para reproduzir dentes de ratos a partir de células em cultura. As células foram retiradas dos dentes de ratos jovens, transferidas para próteses biodegradáveis e implantadas em animais receptores. Alguns dias depois, verificou-se o desenvolvimento de pequenos dentes. "O objetivo é usar células-tronco e progenitoras para desenvolver órgãos dentais que, no futuro, poderão substituir dentes perdidos", afirmou Sílvio. "Já conseguimos provar que isso é viável." A técnica também seria aplicável em procedimentos mais simples, como o preenchimento de canais e reparação de cáries, observou Mônica. "Em vez de usar um material sintético, podemos usar as células do próprio paciente." A pesquisa é realizada em parceria com o Instituto Forsyth, em Boston (EUA), onde o casal passou 14 meses realizando os experimentos, com bolsa da Capes. De volta à Unifesp, defenderam o trabalho como tese de doutorado e já iniciaram experimentos com células de dentes humanos, também em parceria com os colegas americanos. A engenharia de tecidos, explicou Sílvio, é uma "ciência que reúne técnicas de engenharia com princípios da biologia", na tentativa de reproduzir tecidos humanos. A partir dos implantes com modelos de polímero biodegradável, os pesquisadores induziram a formação de pequenos dentes na mandíbula e no abdômen de ratos. O abdômen é comumente usado em experimentos desse tipo por causa de sua alta vascularização, que serve para nutrir o implante. "Obtivemos tecidos estruturados nos dois locais", disse Sílvio. No caso da mandíbula, o implante foi feito diretamente no osso, enquanto no abdômen foi usado o omentum, tecido que reveste as vísceras. Primitivos - Os dentinhos, segundo Sílvio, eram "primitivos", mas completos, com a presença de diferentes tecidos dentais: cemento, esmalte, dentina. Sílvio evita revelar muitos detalhes, já que o trabalho ainda está sendo submetido para publicação em uma revista científica internacional. "Obtivemos vários dentes e repetimos os experimentos várias vezes com resultados positivos", resumiu o pesquisador. O trabalho foi orientado por Paulo Pontes, na Unifesp, e Pamela Yelick, no Instituto Forsyth, que é ligado à Universidade de Harvard.

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