No JN, Marina nega conivência com mensalão

A candidata do PV à sucessão presidencial, Marina Silva, negou hoje que tenha sido conivente com o caso do mensalão, em 2005, por ter permanecido no PT após a deflagração do escândalo. Na época, a presidenciável ocupava o cargo de ministra do Meio Ambiente do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Não fui conivente. Eu sempre dizia que aquilo era condenável e que deveriam ser punidos todos os que cometeram irregularidades", afirmou Marina, em entrevista ao Jornal Nacional da TV Globo.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

10 de agosto de 2010 | 22h00

A candidata justificou sua permanência no governo como importante para combater a corrupção em um partido do qual foi uma das fundadoras. "Eu permaneci para dar contribuição dentro do governo, mas não por ser conivente. Eu sabia que estava combatendo por dentro, não havia cometido irregularidades."

Marina foi a segunda entrevistada da série do Jornal Nacional com os principais presidenciáveis. Ontem, a petista Dilma Rousseff (PT) respondeu às perguntas dos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes. Amanhã será a vez do tucano José Serra.

Na entrevista de 12 minutos, a candidata do PV reafirmou que PT e PSDB foram "reféns do fisiologismo" à frente do Palácio do Planalto e propôs que num eventual governo seu as duas siglas trabalhem juntas. "Eu quero governar com os melhores, criando um diálogo entre PT e PSDB", afirmou.

Marina negou ainda que não contará com uma base de sustentação a um eventual governo do PV. "Vamos ter a colaboração de todos os partidos. Quando precisei aprovar leis no Congresso Nacional, consegui aprovar os meus projetos com o apoio de todos os partidos", afirmou.

A candidata do PV assegurou que apenas ela pode acabar com uma disputa de dezesseis anos entre PSDB e PT. "Irei criar uma base de sustentação que acabe com a ideia de situação pela situação e oposição pela oposição", garantiu. "Quem pode estabelecer um diálogo com essas forças que não se conversam é Marina Silva."

A presidenciável listou algumas de suas propostas de governo, como a geração de um desenvolvimento sem agressão ao meio ambiente, a ampliação do acesso à educação de qualidade e possibilidade de desenvolver a infraestrutura do País.

A candidata do PV rechaçou o rótulo que lhe foi dado durante o governo Lula de ser responsável pelo entrave de projetos do governo federal em razão da demora nas licenças ambientais. Marina prometeu que em um eventual governo irá acelerar e aperfeiçoar o licenciamento ambiental, agilizando projetos na área de infraestrutura.

No final da entrevista, Marina se posicionou como a primeira mulher de origem humilde que poderá governar o País. "É possível que uma pessoa que nasceu na Floresta Amazônica, analfabeta até os 16 anos seja a primeira mulher de origem humilde a ser presidente", afirmou.

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