No início da gestão, Lava Jato fez Temer 'perder' 3 ministros

Jucá, Alves e Silveira saíram após divulgação de conversas sobre a operação; 5 ainda são alvo de inquérito o STF

Luísa Martins e Julia Lindner, de Brasília, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2016 | 06h00

Na formação inicial do seu ministério, ainda no período de interinidade, o presidente Michel Temer nomeou, entre os 24 ministros, seis que eram alvos de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) – com suspeita de crimes eleitorais, falsidade ideológica, formação de quadrilha e envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás.

Em pouco mais de um mês de gestão, três ministros deixaram o cargo por motivos relacionados à Operação Lava Jato: Romero Jucá (Planejamento), Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Fabiano Silveira (Transparência). Jucá e Alves também haviam sido ministros nos governos Lula e Dilma.

As saídas ocorreram após o acordo de delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Um dos homens fortes do governo Temer, Jucá deixou o cargo após a divulgação de uma conversa sua com Machado em que dizia ser preciso “estancar a sangria” da Lava Jato. Ele tem cinco inquéritos instaurados no STF e é o único do grupo de ministros de Temer formalmente incluído na operação. À época, Jucá negou que tivesse tentado agir contra a Lava Jato.

Silveira pediu demissão da Transparência depois de ter sido divulgado o teor de sua conversa com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), gravada por Machado, na qual ele criticou a condução da Lava Jato pela Procuradoria-Geral da República. Em sua carta de demissão, disse que não fez “nenhuma oposição” ao trabalho da PGR.

Alves também pediu demissão do Turismo por causa do ex-presidente da Transpetro, que o acusou, em delação, de ter recebido propina de R$ 1,55 milhão entre 2008 e 2014. Sobre a citação, o ex-ministro afirmou que todas as doações para as campanhas foram oficiais.

No início deste mês, Temer escolheu o deputado Marx Beltrão (PMDB-AL) para comandar o Ministério do Turismo no lugar de Alves, atendendo a um pedido da ala do PMDB de Renan. Beltrão é réu no STF acusado de falsidade ideológica.

Em setembro, logo após o impeachment de Dilma Rousseff, o ex-chefe da Advocacia-Geral da União Fábio Medina Osório foi demitido e acusou o governo de impor obstáculos ao trabalho da AGU. Ele disse que foi afastado por ter tomado iniciativas mirando empreiteiras e políticos, entre eles membros da base, envolvidos na Lava Jato. Na época, o Planalto atribuiu a decisão a erros supostamente cometidos pelo ministro na AGU.

O ministro Gilberto Kassab (PSD), da Ciência e Tecnologia, também tem cinco investigações no Supremo, todas sobre irregularidades durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo. Kassab também aparece ao lado do chanceler José Serra na apuração sobre se ex-prefeitos de São Paulo teriam cometido crime de responsabilidade.

Maurício Quintella (Transportes) foi denunciado pela PGR em 2010 por desviar recursos de convênios para compra de merenda escolar quando ele era secretário estadual de Educação em Alagoas, no governo de seu primo, o ex-governador Ronaldo Lessa. A defesa nega a acusação e afirma que o processo tem razões políticas.

Ricardo Barros, da Saúde, é investigado por suposta orientação para direcionar uma licitação de publicidade da prefeitura de Maringá, quando era secretário de Indústria e Comércio do Paraná. Já Helder Barbalho, último da lista de investigados, é alvo de dois inquéritos sobre calúnia e difamação. Ambos negam as irregularidades. Geddel Vieira Lima, da Secretaria de Governo, também foi citado na Lava Jato, mas não é investigado formalmente.

Até a conclusão desta edição, o Estado não havia localizado Silveira, Beltrão, Kassab, Serra e Geddel. À época dos fatos, eles negaram envolvimento em irregularidades.

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