No governo Lula a violência no campo cresce

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou nesta quinta-feira levantamento mostrando que nos primeiros três meses do governo de Luiz Inácio Lula da Silva aumentou o número de pessoas assassinadas em conflitos por terras no País no primeiro trimestre de 2003 em relação ao mesmo período do ano passado.Este ano, já foram assassinadas 13 pessoas, enquanto que de janeiro a março de 2002 foram nove assassinatos. Conforme a CPT, as invasões de terra também cresceream: 45 invasões contra 26. Segundo o levantamento da CPT, o número de acampamentos também é maior. No primeiro trimestre de 2003, já são 22 novos acampamentos contra 19 registrados no mesmo período de 2002. O presidente da CPT, dom Thomás Balduíno, defendeu a revogação da medida provisória antiinvasão por considerar que a legislação é um dos fatores para o aumento da violência no campo. Ele criticou o governo por não agir de forma enérgica contra as milícias armadas de fazendeiros e por não ter uma proposta clara de desapropriação. Na avaliação de dom Thomás, uma das razões para o aumento do número de invasões é a "impaciência" do MST em ver soluções rápidas no governo do PT - histórico aliado do MST - para o problema agrário do País. O ouvidor agrário nacional, Gersino José da Silva Filho, contestou os números da CPT, afirmando que o governo registrou apenas seis mortes em conflitos agrários. ?A diferença dos nossos números é pelo fato de adotarmos alguns critérios, como só reconhecer como crime agrário os descritos em relatórios da polícia, enquanto que os critérios da CPT são subjetivos?, disse, reconhecendo que os números são altos e preocupantes.O estudo da CPT foi divulgado ontem para marcar o aniversário de sete anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, onde 19 sem-terras morreram. Foi celebrada uma missa na igreja do Centro Cultural de Brasília em homenagem aos trabalhadores assassinados.

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