No dia seguinte à abertura, hospital militar vive caos no Rio

O cenário é igual ao encarado na rede pública de saúde; pouco mais de meio-dia, o hospital já estava lotado

Pedro Fonseca, da Reuters,

01 de abril de 2008 | 14h14

Depois de um primeiro dia de atendimento rápido nos hospitais de campanha montados pelas Forças Armadas, a população do Rio encarou nesta terça-feira, 1º, longas filas e falta de atendimento nas tendas militares, numa repetição do cenário encarado na rede pública desde o início da epidemia de dengue que já matou 67 pessoas no Estado.  Veja também:  Especial - A ameaça da dengue Contratação de pediatras não resolve dengue no RJ, diz Soperj Embrapa desenvolve inseticida para morador usar em criadouro Juíza determina que SUS garanta vaga para doente Dengue atinge status de epidemia no Rio Epidemia de dengue ameaça 30 cidades do PaísPouco depois do meio-dia, a capacidade máxima de 400 pessoas já havia sido esgotada no hospital de campanha da Aeronáutica, montado na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade. No centro de triagem, centenas de outras pessoas na fila não seriam atendidas. "O atendimento com certeza está acima das nossas expectativas", disse um tenente da assessoria de imprensa da Aeronáutica. "As pessoas chegam aqui dizendo que não conseguiram atendimento nos hospitais." "As 400 senhas de atendimento para hoje já foram distribuídas, que é a nossa capacidade máxima. Com a estrutura do nosso hospital de campanha, não existe a possibilidade de estender essa capacidade", acrescentou o tenente. Com mais de 43 mil casos registrados oficialmente este ano, 67 mortes por dengue já foram confirmadas no Estado. Cerca de metade das vítimas é de crianças de 2 a 13 anos. Pelo menos outros 60 casos de pessoas que morreram com suspeita de dengue ainda estão sendo investigados. A capital responde pela maioria dos óbitos estaduais, com 44 mortos, sendo 23 crianças. Em todo o ano passado, houve 31 mortes por dengue no Estado. Três hospitais de campanha das Forças Armadas -um da Marinha, um do Exército e um da Aeronáutica - começaram a operar na segunda-feira, 31, para dar suporte à rede pública de saúde, que tem sido insuficiente para atender o grande número de casos neste início de ano. O hospital da Aeronáutica é o único que presta atendimento espontâneo à população, através de um posto de triagem. Na segunda-feira, o limite de 400 atendimentos só foi atingido às 20 horas. Nove pessoas, inclusive, passaram a noite no local esperando leitos de internação em hospitais da rede pública. Os hospitais de Marinha e Exército são destinados exclusivamente ao tratamento de pacientes encaminhados pelos hospitais da rede pública. Nesta terça-feira, a Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil informou que cinco Estados (Rio Grande do Sul, Rondônia, Amapá, Ceará e Santa Catarina) demonstraram interesse em atender à solicitação de envio de 154 pediatras feita pelo Rio na segunda-feira.

Tudo o que sabemos sobre:
DengueepidemiaForças Armadas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.