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No dia em que recebe Dilma, PT volta a criticar mídia e pede democratização

Na primeira reunião com diretório após eleita. petista se emociona e pede tolerância para governar a coalizão; resolução aprovada ao final do encontro defende ‘um debate qualificado acerca do conservadorismo’ nos meios de comunicação e na sociedade

Eugênia Lopes e Vera Rosa, de O Estado de S.Paulo ,

19 de novembro de 2010 | 21h59

 

 

BRASÍLIA - No primeiro encontro da presidente eleita, Dilma Rousseff, com o Diretório Nacional do PT, o partido ressuscitou a tese da regulação de conteúdo da mídia. Ao final da reunião, nesta sexta-feira, 19, o PT aprovou resolução propondo a "democratização da comunicação" e "um debate qualificado acerca do conservadorismo" nos meios de comunicação e na sociedade.

 

O partido diz que fará isso "respeitando a liberdade de imprensa". O texto da resolução prega o "caráter laico do Estado brasileiro" e diz que a atual "guerra cambial" é apenas um dos sintomas das incertezas econômicas e políticas no âmbito internacional.

 

"Foi uma posição do partido. Não diz respeito à proposta do governo. A ação partidária não está relacionada com ações do Executivo", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra, ao final do encontro. O debate sobre o "conservadorismo" e as demais propostas são consideradas "medidas essenciais para superar o descrédito de amplos setores de nossa sociedade para com partidos e instituições".

 

Estrela da reunião, Dilma se emocionou, chegando a chorar, e pediu "compreensão", "tolerância" e "maturidade" dos petistas para governar. No momento em que os partidos aliados travam uma disputa por ministérios, Dilma pregou a unidade do PT e defendeu as alianças e coligações políticas para governar.

 

Diante de uma plateia de cerca de 200 petistas e quatro governadores do partido, a eleita voltou a lembrar nesta sexta que vai assumir a Presidência em posição vantajosa graças à "herança bendita" que será deixada pelo governo do presidente Lula.

 

A divisão de espaços no futuro governo e a formação de um "blocão" no Congresso, integrado por cinco partidos (PMDB, PP, PR, PTB e PSC), dominaram os bastidores da reunião de ontem do Diretório Nacional do PT.

 

"O PT e o PMDB estão condenados a se entender e a governar juntos com os partidos que apoiam Dilma", disse o ex-ministro José Dirceu.

 

Dilma foi escoltada por "figurões" do partido, como o governador reeleito Jaques Wagner (BA), chamados a reforçar os canais de comunicação da presidente eleita com o PT.

 

Na reunião, o PT deixou claro seu apetite por cargos. No governo Lula, o partido ocupa 17 dos 37 ministérios. Ficou acertada a criação de uma comissão com integrantes da Executiva do partido para apresentar sugestões de nomes e áreas que o PT quer abocanhar no futuro governo - cargos não apenas do primeiro como do segundo escalão e nas estatais. O PT quer abocanhar Comunicações, Saúde e Integração Nacional - ministérios administrados pelo PMDB -, além de Cidades, nas mãos do PP, e manter mais assentos em empresas poderosas como a Petrobrás.

 

Restrições. Nos últimos oito anos, o governo do PT fez algumas tentativas de restringir a liberdade de imprensa. No fim do ano passado, por exemplo, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) chegou a propor "controle social" dos meios de comunicação, o que foi interpretado como uma tentativa de volta à censura.

 

A primeira versão do programa de governo de Dilma entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também pregava o controle da mídia. A proposta apontava medidas para combater o chamado "monopólio" dos meios de comunicação. Diante da repercussão negativa, o comando da campanha retirou a proposta das diretrizes do programa de governo de Dilma.

 

Intitulada "Uma grande vitória", a resolução não cita a polêmica em torno da religião que tomou conta da campanha eleitoral no segundo turno.

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