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No Dia do Jornalista, Gushiken pede a divulgação de coisas boas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, num encontro com um grupo de cerca de 70 jornalistas, no Palácio do Planalto, que gostaria que seu governo deixasse para o País o exemplo de ter "uma relação leal" com os meios de comunicação e que, em nenhum momento, o governo deve pedir à imprensa para que fale bem dele, da mesma forma que nenhum jornalista deve falar mal do governo apenas porque quer. As declarações foram feitas visivelmente numa tentativa de consertar o que havia dito logo antes o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, que também participou do encontro. Gushiken afirmou que "o povo brasileiro tem a necessidade de saber os empreendimentos positivos"; que "o Brasil está preparado para saber as coisas boas"; e que "o povo brasileiro tem necessidade de conhecer a agenda positiva". Ele se referia à estratégia do governo de criar uma agenda positiva, após a crise provocada pelo o episódio Waldomiro Diniz.Gushiken observou ainda que "a imprensa opera com o raciocínio que é de explorar o contraditório e, muitas vezes, isso pode fomentar discórdias, disputas e conflitos de ego, quando são apenas discussões de idéias". Era para comemorar o Dia do JornalistaAs declarações foram feitas diante de cerca de 30 dirigentes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e de sindicatos de jornalistas profissionais de 24 Estados, recebidos pelo presidente Lula por ocasião do Dia do Jornalista. Do encontro participaram, também, cerca de 40 profissionais de imprensa que cobrem o dia-a-dia do Palácio do Planalto. Do encontro participaram também os ministros do Trabalho, Ricardo Berzoini, e da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci, além do secretário de Imprensa, Ricardo Kotscho, e do porta-voz da Presidência da República, André Singer. Kotscho abriu a reunião, passando a palavra, inicialmente, à presidente da Fenaj, Beth Costa, que pediu a Lula que envie ao Congresso projeto de lei propondo a criação do Conselho Federal de Jornalismo.Em seguida, Berzoini informou que a proposta de criação do Conselho está em análise no seu ministério. Foi quando Gushiken tomou a iniciativa de pegar o microfone, antes de Lula falar.A fala de Gushiken não estava prevista. Ele disse: "O Brasil está preparado. Os leitores, os telespectadores, os ouvintes, estão ansiosos para saber o que germina em termos de coisas boas", acrescentou ainda Gushiken. "Este País está cheio de coisas boas". Lula fica constrangido O próprio Lula ficou visivelmente constrangido ao ouvir Gushiken sugerir que a imprensa deve divulgar "coisas boas" e a "agenda positiva". No seu discurso, o último do encontro, o presidente lembrou que ainda tem pela frente dois anos e nove meses de mandato, e disse que gostaria que seu governo deixasse ao País o exemplo de ter "uma relação leal" com os meios de comunicação. Clima de descontração Boa parte do encontro transcorreu em clima de descontração. Lula cumprimentou um a um todos os cerca de 70 jornalistas que dele participaram, posou para fotos com eles e brincou com a semelhança física de Renato Yakabe, diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, com o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, pedindo ao fotógrafo oficial do Palácio do Planalto, Ricardo Stuckert: "Depois, você tira uma foto dos dois chininhas, sem óculos, para a gente ver as semelhanças", brincou. Outro momento de descontração ocorreu quando a presidente da Fenaj, Beth Costa, deu a Lula uma camiseta de presente e, brincando, desculpou-se por não ter um boné. Lula contou que hoje é aniversário da primeira-dama Marisa Letícia. O presidente comentou as agruras do ofício de jornalista com a apuração de reportagens que, muitas vezes, não são publicadas no dia seguinte. "O jornalista xinga o presidente, é xingado pelo presidente", observou mais adiante, para logo consertar, brincando: "O presidente nunca xinga". Emprego cada vez mais difícil Ele lembrou, também, que as universidades jogam uma enxurrada cada vez maior de novos profissionais na praça e que "emprego está cada vez mais difícil". Observou, a propósito, que a categoria já teve mais força no movimento sindical, mas teve sua espinha dorsal quebrada em 1979", quando, apesar de uma greve ferrenha em São Paulo, os jornais continuaram sendo editados. Lula contou que, na época, foi fazer piquete na porta do Estado e lá encontrou grevistas lendo o jornal do dia.

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