Eduardo Gayer/Estadão
Eduardo Gayer/Estadão

No Dia da Mulher, Bolsonaro barra homens em café da manhã no Alvorada

Com baixa aprovação no eleitorado feminino, presidente aproveita a data para tentar se reaproximar das mulheres e apagar histórico machista

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2022 | 10h13

BRASÍLIA – Em busca de aproximação com o eleitorado feminino, segmento no qual tem baixa aprovação, o presidente Jair Bolsonaro (PL) deu início às celebrações do Dia Internacional da Mulher com uma cerimônia de hasteamento da bandeira e um café só com mulheres no Palácio da Alvorada. Pela reeleição, Bolsonaro tem sido orientado a buscar se aproximação do público feminino, apesar de sua trajetória política ser marcada por manifestações e frases sucessivas de cunho machista. 

No evento desta terça-feira, 9, o chefe do Executivo estava acompanhado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, que protagonizou o hasteamento. Cotada para assumir a vice na chapa de Bolsonaro à reeleição, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, não compareceu ao evento, ainda que o compromisso conste em sua agenda oficial. Questionada pela reportagem, a assessoria da pasta informou que a ministra estará presente nas demais agendas do dia.

Com duração de aproximadamente meia hora, a solenidade de hasteamento da bandeira foi marcada por fotos do presidente ao lado de mulheres. O governo, no entanto, não informou quem eram elas. A banda marcial do Exército, depois do Hino Nacional, executou as músicas Maria, Maria, de Milton Nascimento; Smells Like Teen Spirit, da banda de rock Nirvana; e In the End, de Linkin Park.

Após o hasteamento, Bolsonaro e Michelle convidaram as mulheres presentes, incluindo as jornalistas, para um café da manhã no Alvorada. Os homens foram barrados. O presidente não conversou com os apoiadores presentes no chamado “cercadinho”.  Na programação do Dia da Mulher, Bolsonaro também participará de lançamentos de iniciativas voltadas às mulheres, como programas de créditos.

Histórico

O afago feito nesta manhã às mulheres difere de manifestações machistas de Bolsonaro, praticadas como presidente ou parlamentar. Em 2016, por exemplo, o então parlamentar declarou que mulheres deveriam ganhar menos do que os homens no trabalho porque engravidam. "Eu não empregaria [homens e mulheres] com o mesmo salário. Mas tem muita mulher que é competente", afirmou, em entrevista.

Em 2017, Bolsonaro fez piada com o fato de ter tido uma filha mulher. Ele disse que o nascimento de Laura foi resultado de uma “fraquejada”, após ser pai de quatro filhos homens. No final do ano passado, já como presidente, foi filmado dançando uma paródia de funk que comparava mulheres de esquerda a cadelas e oferecia a feministas “ração na tigela”.

Neste ano, foi a vez de expor sua esposa. Em cerimônia oficial no Planalto, em cena de total constrangimento, deu bom dia a todos, menos para a primeira-dama Michelle, que, segundo ele, já tinha recebido um "bom dia mais do que especial”.

Em junho de 2019, por comprimento a uma decisão judicial, Bolsonaro foi obrigado a publicar, em sua conta no Twitter, um pedido de desculpas por falas dirigidas à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) em 2003, quando afirmou que a deputada “não merecia ser estuprada”. 

“Em razão de terminação judicial, venho pedir publicamente desculpas pelas minhas falas passadas dirigidas à deputada federal Maria do Rosário Nunes. Naquele episódio, no calor do momento, em embate ideológico entre parlamentares, especificamente no que se refere à política de direitos humanos, relembrei fato ocorrido em 2003, em que, após ser injustamente ofendido pela congressista em questão, que me insultava, chamando-me de estuprador, retruquei afirmando que ela ‘não merecia ser estuprada’”, escreveu Bolsonaro.

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