No Conselho de Ética, PSDB pede voto aberto no caso Renan

Já o peemedebista Wellington Salgado defende o voto fechado: "Discurso aqui não muda voto"

30 de agosto de 2007 | 11h25

O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB), iniciou com uma hora de atraso a sessão que irá votar o parecer sobre a primeira representação presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB), lendo um histórico sobre a crise política envolvendo o Senado, que vem se arrastando há três meses e chegou à exaustão.   "Chegou o momento de deliberarmos conclusivamente sobre o processo", disse Quintanilha, lembrando da troca de relatores e do presidente do Conselho.   Veja também: Advogado de Mônica Veloso tentou subornar Renan, diz Cafeteira PSOL faz protesto contra voto secreto no caso Renan Em última manobra, Renan tenta voto secreto no Conselho Enquete: Você acredita que Renan será cassado?  Cronologia do caso Renan     Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Veja especial sobre o caso Renan    Antes da votação do parecer, o Conselho precisa decidir se a votação será aberta ou secreta. De um lado, os aliados de Renan querem que o voto seja secreto. Acham que, com o anonimato, o senador teria mais chances. Mas, a oposição está disposta a brigar e ameaça não apresentar o relatório se o voto for fechado. Os defensores do voto aberto têm maioria no Conselho e podem ganhar se essa polêmica for a voto.   O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (PSDB), defendeu o voto aberto no Conselho de Ética. Virgílio sugeriu que se use o regimento da Câmara dos Deputados, já que o regimento do Senado é omisso sobre como deve ser a votação no Conselho. O senador destacou que, no caso do voto de perda de mandato chegar ao plenário, a Constituição é "muito clara" ao determinar o voto secreto. Virgílio disse ainda que não há porque votar às escuras sobre um tema que se arrasta a tanto tempo na Casa.   O senador Marconi Perillo (PSDB-GO) leu nota da Consultoria Legislativa do Senado que avalia que as votações de pareceres sobre cassação de mandato devem ser abertas no Conselho de Ética.   "Vamos perder tempo discutindo se vamos votar aberto ou fechado. Discurso aqui não muda voto". A afirmação foi do senador Wellington Salgado (PMDB), que defende o voto fechado.   O senador Epitácio Cafeteira (PTB) disse que "até hoje não entendeu" porque os senadores do Conselho "fugiram" de seu voto. Cafeteira foi o primeiro relator do caso, e pediu o arquivamento da representação do PSOL sem ouvir os envolvidos. À época, o presidente do Conselho, Sibá Machado (PT), não permitiu o engavetamento.   Dois dos três relatores do processo, os senadores Marisa Serrano (PSDB-MS) e Renato Casagrande (PSB-ES), fecharam acordo de que só revelam o parecer conjunto deles - que pede a cassação de Renan - se a votação for aberta. O terceiro relator, Almeida Lima (PMDB-SE), aliado de Renan, já avisou que apresentará parecer pela absolvição do presidente do Senado.   Renan é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista da Mendes Júnior Cláudio Gontijo. Para comprovar que não precisava de recursos do lobista para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento, Renan apresentou documentos cheios de irregularidades, segundo laudo da PF. Segundo o senador, foram R$ 1,9 milhão em quatro anos. Renan diz apenas que Gontijo é seu amigo pessoal e que intermediava o contato com Mônica por se tratar de um caso extraconjugal.

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