Fernando Bizerra Jr.|EFE
Fernando Bizerra Jr.|EFE

No Conselho de Ética, tucano pede que Cunha renuncie e deixe de influenciar governo Temer

Peemedebista, que está no coelgiado para apresentar sua defesa em processo por quebra de decoro não respondeu aoscomentários de Nelson Marchezan Júnior

Julia Lindner, Daiene Cardoso e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2016 | 12h52

BRASÍLIA - Durante o depoimento de Eduardo Cunha (PMDB-RS) nesta quinta-feira, 19, ao Conselho de Ética da Câmara, o deputado Nelson Marchezan Júnior (PSDB-RS) pediu que o peemedebista "renuncie ao cargo" de presidente da Câmara e "deixe de influenciar o governo Michel Temer", sob pena de ser preso por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao responder aos comentários do tucano, Cunha limitou-se a dizer que não comentaria a decisão do STF de afastá-lo do cargo.

Em embate direto com o peemedebista, Marchezan brincou dizendo que "se o truste fosse uma mulher, seria maravilhosa". "Deve ser uma paixão cega, por colocar tanto volume de recursos e não controlá-lo", completou o deputado. "Truste não é uma mulher bonita, ele foi criado na Convenção de Haia, tem trilhões de dólar pelo mundo. A palavra quer dizer confiança, ele é transparente", rebateu Cunha.

Marchezan questionou qual seria a origem do depósito de R$ 5 milhões que teriam sido enviados ao truste na Suíça e que, segundo ele, não foram declarados no Brasil. "Parece a todos nós uma simulação, tudo leva a crer que a truste é simulação para esconder recursos de origem não lícita", acusou o tucano. Segundo ele, Cunha não consegue esclarecer como foi constituído o truste.

O presidente afastado da Câmara disse que Marchezan fez a sua pergunta lastreada em matérias jornalísticas e que "nem tudo que se publica é verossímil". Ele se negou a responder a pergunta novamente por dizer que ela não estava baseada na representação do PSOL e da Rede contra ele. "Vim aqui para um momento processual de um processo. Como depoente, tenho que me restringir ao que será usado no julgamento de vocês", afirmou.

Sobre a acusação de que Cunha teria um dossiê de parlamentares para ameaçá-los, Cunha negou e disse que não veio ao Conselho de Ética para constranger ninguém. "Não veio da minha boca ameaças a quem quer que seja. Quando eu estiver algo contra alguém, não usarei o Conselho de Ética", declarou.

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