No Carandiru, PM atirou para matar, diz perito

Não foi encontrado nenhum indício de que os presos tenham reagido a tiros contra a ação da Polícia Militar no presídio do Carandiru, no dia em que 111 detentos foram mortos por policiais. Além disso, a PM disparou rajadas para dentro das celas e contra "alvos" que estavam a 40 centímetros do solo, ou seja, deitados ou agachados. A intenção desses atiradores foi matar os presos. Essas foram as principais conclusões do perito criminal Osvaldo Negrini Neto, principal testemunha de acusação, no segundo dia de depoimentos perante o júri que analisa as acusações contra o coronel Ubiratan Guimarães, acusado pelas 111 mortes e 5 tentativas de homicídio ocorridas no Pavilhão 9 da Casa de Detenção, no Carandiru, em 2 de outubro de 1992. "A história estava escrita nas paredes", disse o perito, referindo-se às marcas das balas, disparadas sempre da entrada das celas para o interior e nunca o contrário, indicando que os presos não atiraram nos policiais. Ao todo, segundo o perito, 85 presos morreram dentro das celas do pavilhão. As armas que a PM disse ter apreendido dos presos, em revista no pavilhão, estavam secas, segundo o perito, embora testemunhas, sobreviventes e policiais tenham afirmado que o pavilhão estava todo molhado, com cerca de dois a três centímetros de água pelo chão.

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