No cabo de guerra do impeachment, o peso de Cunha

O presente desejado desde o início do ano chegou em dezembro, mas a época e o emissário não podiam ser mais inadequados para os movimentos que querem afastar a presidente Dilma Rousseff. Ao acolher o pedido de impeachment às vésperas das festas de fim de ano e após ter sido denunciado pela Procuradoria-Geral da República, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), fragilizou o governo, mas também o mote dos protestos, calcados no discurso pelo fim da corrupção e pela ética na política.

Iuri Pitta e Alberto Bombig, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2015 | 06h55

Para o cidadão comum, que anseia por um Brasil mais justo e por políticos dignos dessa função, uma coisa é sustentar uma opinião nas ações da Operação Lava Jato e nas decisões do juiz Sérgio Moro; outra é respaldar a cartada de um deputado que faz de tudo para não perder o cargo – e, talvez, a própria liberdade.

Num domingo de calor, a disputa pelas ruas começa morna para a oposição, mas sem tantos motivos para refresco do governo – o mérito de ser justo ou não o impeachment não se resume a pessoas nas ruas, mas a decisões das instituições. Os adversários de Dilma tentarão esticar o jogo ao máximo. A presidente quer resolver a fatura logo. No meio desse cabo de guerra, por ora, ainda há o peso de Cunha.

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