''No Brasil não se apura nada'', afirma Simon sobre Sarney

Senador defende que manifestação popular seria única saída para reverter impunidade

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) resumiu ontem com uma frase o arquivamento das denúncias contra o deputado Antonio Palocci (PT-SP), no Supremo Tribunal Federal (STF), e contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética da Casa. "Ficou provado que no Brasil não se apura nada", afirmou.Simon esteve em São Paulo, onde participou de evento organizado por estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, no centro da cidade. Respondendo a perguntas dos alunos e professores, o senador gaúcho foi provocado e respondeu no mesmo tom. "Se houvesse movimento da sociedade, duvido que o Sarney não teria renunciado", desafiou.Questionado sobre o que seria necessário fazer para "reverter o problema da impunidade no País", o senador avisou que é preciso uma manifestação de "fora (do povo) para dentro (do Congresso)". De acordo com ele, esta seria a única saída possível. "Se Jader e Renan renunciaram e não aconteceu nada, com Sarney é que não vai acontecer nada mesmo", lamentou.Simon lembrou dos recentes casos de corrupção na Inglaterra, em que os deputados foram punidos. Recordou da Operação Mãos Limpas, que resultou em cassações na Itália. E sublinhou que no Brasil ninguém é julgado. "Porque de dentro do Congresso e do Supremo Tribunal Federal não vai sair nada. Do presidente Lula não vai sair nada. E não adianta destituir o Conselho de Ética, porque o STF acaba arquivando tudo", observou.Um único momento de descontração surgiu durante o encontro, que durou 3 horas, quando Simon recebeu a informação de seu assessor de que a representação do PSOL no STF - pedindo trâmite de recurso contra o arquivamento das denúncias contra Sarney (ver matéria nesta página) - será relatada pelo ministro Joaquim Barbosa. "Essa é uma boa notícia, acho que vamos ganhar", sorriu.PMDB E MARINA"O comando do PMDB se vende para quem pagar mais", afirmou Simon sobre a eleição presidencial do próximo ano. "O PMDB vai mamar nos braços de quem ganhar", anotou, referindo-se à candidatura petista da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e à candidatura tucana ainda não definida entre os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG).O senador gaúcho, que não poupou críticas a seu próprio partido, logo foi perguntado por qual motivo não deixava a legenda. "Porque eu represento o antigo MDB", afirmou, resignado.A possível candidatura da senadora Marina Silva (sem partido-AC) pelo Partido Verde empolga o senador sobre as eleições de 2010. Na opinião dele, a ex-ministra do Meio Ambiente "dá outro caráter para a disputa" e "vai mudar o tom da campanha". "Sai de cena o conteúdo do qual o povo já está de saco cheio."A ressalva, porém, parte do comando do Partido Verde. O deputado Zequinha Sarney (MA), filho do presidente do Senado, preside a legenda e foi lembrado por Simon. "A gente acha que o Sarney nasceu com aquilo virado para a lua, mas não. A lua está no lugar daquilo dele, porque o Zequinha está no PV", afirmou o senador gaúcho, arrancando aplausos e risos dos estudantes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.