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No berço da inovação, Dilma evita crise

Presidente não comenta queda de popularidade e afirma que a viagem aos EUA cumpriu expectativa de ‘relançar a relação’ bilateral

Tânia Monteiro e Cláudia Trevisan, enviadas especiais, O Estado de S. Paulo

01 de julho de 2015 | 22h31

São Francisco - Feliz com o resultado da visita de cinco dias aos Estados Unidos, que classificou de “extremamente positiva”, a presidente Dilma Rousseff teve ontem um dia de descobertas do futuro da tecnologia do Vale do Silício, o berço mundial da inovação. A líder brasileira andou em um protótipo de carro autônomo, que não precisa de motorista para circular, visitou uma fábrica de robôs e o centro de pesquisas da Nasa, a agência espacial americana. 

Muito bem humorada, a presidente pediu aos jornalistas que não a trouxessem de volta ao presente e às dificuldades da conjuntura política brasileira. Os repórteres queriam ouvir comentários sobre a mais recente pesquisa CNI/Ibope, que mostrou aprovação abaixo de um dígito e novo aumento da rejeição à petista.

“Não, não. Eu estou ainda no futuro. Vocês não façam isso comigo”, apelou Dilma, depois de concluir o passeio no carro autônomo na sede da Google, na Califórnia. “Acabei de descer do futuro.”

A presidente teve uma maratona de reuniões com pesquisadores, empresários e investidores na área de tecnologia e inovação. No SRI, empresa que inventou o mouse e a Siri (assistente virtual usada em eletrônicos da Apple), a presidente foi apresentada a um robô que pode ser usado em resgates de vítimas de desastres naturais. Parecido com as de filmes de ficção científica, a máquina não falou nem se movimentou diante da presidente.

Bill Jeffrey, presidente da SRI, brincou com a presidente e disse que ela não precisava ter medo do robô. “Não tenho”, respondeu Dilma. 

Sinônimo de inovação, o Vale do Silício foi escolhido pela presidente para encerrar sua visita aos Estados Unidos, na qual retomou o relacionamento com a maior economia do mundo e buscou acordos que possam conectar o cambaleante Brasil ao futuro visto na Califórnia. 

A visita marcou o fim de um virtual congelamento de quase dois anos no relacionamento bilateral, provocado pela revelação de que a agência de espionagem americana, a NSA, monitorou comunicações de Dilma, de dirigentes da Petrobrás e de milhões de brasileiros. Em protesto, Dilma cancelou a visita de Estado que faria a Washington em outubro de 2013.

“Nós relançamos a relação com os Estados Unidos num patamar de maiores possibilidades futuras e presentes”, afirmou Dilma na sede do Google.

À mesa. Dilma almoçou com executivos de algumas das principais empresas de tecnologia e biotecnologia dos Estados Unidos, na Universidade Stanford. Além do CEO da Google, Eric Schmidt, estavam no encontro Mark Zuckerberg, do Facebook; Brian Chesky, da Airbnb, serviço online de hospedagem em residências particulares; e Elisabeth Holmes, da Theranos, empresa que está revolucionando o acesso a exames laboratoriais. 

No encontro, a presidente disse que um de seus desafios é levar acesso à internet por banda larga a todos os brasileiros. Na visita ao Google, Dilma mais detalhes do projeto Loon, que usa balões para levar conexão à rede de computadores a regiões remotas. No ano passado, a empresa realizou um teste com o equipamento no Piauí. A experiência permitiu que alunos de uma escola estadual se conectassem pela primeira vez à internet. Segundo Dilma, a iniciativa pode conectar a Amazônia com baixo custo. “Basta um celular”, avaliou a presidente.

O último compromisso da presidente foi uma visita ao centro de pesquisas da Nasa, onde a presidente se reuniu com representantes de empresas do setor aeroespacial, entre as quais a brasileira Embraer.

O encontro foi organizado pela Boeing, fabricante americana que perdeu um contrato de US$ 4,3 bilhões para compra de caças pela Força Aérea Brasileira (FAB) em razão do escândalo da NSA. A empresa era a favorita a vencer a concorrência da Aeronáutica, mas o governo Dilma fechou contrato no ano passado com a sueca Saab.

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