Filipe Araújo/Estadão
Filipe Araújo/Estadão

No Banco do Brasil, um fiel escudeiro do Palácio do Planalto

À frente do maior banco da América Latina, Bendine seguiu recomendações do governo federal e não se importou com críticas

Murilo Rodrigues Alves, O Estado de S.Paulo

07 Fevereiro 2015 | 02h02

BRASÍLIA - O governo considera que a recepção negativa com o nome de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobrás não pode ser considerada o melhor parâmetro para medir o sucesso do executivo à frente da estatal. A equipe de Dilma Rousseff lembra que a queda de 6,94% das ações preferenciais da companhia, que são as mais negociadas, ontem, foi menor do que o impacto nas ações do Banco do Brasil quando Bendine foi anunciado como presidente da instituição financeira - em 8 de abril de 2009, as ações do BB despencaram 8,15%. 

Há quase seis anos, Bendine foi escolhido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o BB com a condição de seguir à risca uma espécie de contrato de gestão: ampliar a participação do banco no mercado de crédito, oferecer melhores condições de empréstimo e ser mais agressivo com a concorrência. O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, também determinou que ele orientasse o setor de seguros, área em que o BB estava atrás dos concorrentes. Seu antecessor, Antonio Francisco de Lima Neto, não seguiu a cartilha do Planalto e foi retirado do cargo. 

À frente do BB, Bendine seguiu todas as recomendações do governo federal e não se importou com críticas de que o banco, sob sua gestão, se tornou um braço do governo na aplicação da política econômica. "Eu resgatei um pouco esse papel do Banco do Brasil enquanto agente de desenvolvimento econômico e social. Queria dizer: ele tem um papel de governo, de fato", disse, em entrevista ao Estado em agosto de 2013. 

Ele deixa o comando do maior banco da América Latina, com volume de ativos que ultrapassa a marca de R$ 1,3 trilhão. O BB aumentou a participação no mercado em meio à retração dos bancos privados. Pelos dados mais atualizados - do 3.º trimestre do ano passado -, o BB tem a maior carteira de crédito entre as instituições financeiras brasileiras, correspondente a 21,1% do mercado de crédito nacional. É maior banco da América Latina, com mais de 100 mil funcionários e mais de 60 milhões de clientes. 

Office-boy. Bendine nasceu em 1963 em Paraguaçu Paulista (SP). Graduado em administração de empresas, ingressou no BB em 1978, com 14 anos, como office-boy. Antes de assumir a presidência da instituição, era vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo.

O novo presidente da Petrobrás tem laços políticos com o PT, apesar de não ser filiado à sigla. Entre seus padrinhos, está o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, que fez carreira no sindicalismo bancário. O Palácio do Planalto, ainda com Lula, colocou Bendine à frente do BB para influenciar mais diretamente as decisões da instituição pública com o objetivo de minimizar efeitos da crise econômica. Em 2012, quando o governo iniciou uma cruzada contra o alto custo do crédito no País, o BB foi o primeiro banco a ver espaço para reduzir os juros e as taxas bancárias, sendo seguido, pelos demais concorrentes.

Nem mesmo as polêmicas em que esteve envolvido diminuíram o prestígio dele com Lula e Dilma. Uma das últimas diz respeito a empréstimo do BB, com recursos do BNDES, aprovado para a socialite Val Marchiori (mais informações na pág. A7). Ele também pagou multa de R$ 122 mil à Receita Federal ao ter sido autuado por não informar a procedência de R$ 280 mil na declaração do Imposto de Renda.

O primeiro imbróglio foi em 2012, quando disputou o poder com Ricardo Flores, presidente da Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil) na época. Dilma ameaçou demitir ambos, mas apenas Flores e o ex-vice-presidente Allan Toledo, que se aliou a Flores, foram defenestrados e perderam o poder.

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