No balanço do governo, PSDB critica inflação e PAC

Para parlamentares tucanos, primeiros seis meses de Dilma foram marcados pelo aumento da inflação, pelos atrasos em obras e pelos escândalos no Planalto

Wladimir D'Andrade, da Agência Estado

12 de julho de 2011 | 17h38

Os parlamentares do PSDB na Câmara e no Senado criticaram a perda do poder aquisitivo do consumidor com uma inflação em alta nos primeiros seis meses da administração Dilma Rousseff (PT). Edição especial do Diário Tucano, informativo das bancadas tucanas no parlamento, divulgado nesta terça-feira, 12, destaca que o teto da meta de inflação, de 6,5%, foi rompido em abril quando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) chegou a 6,51%. O documento também detalha o atraso nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e aborda as denúncias de corrupção no Executivo federal.

O informativo do PSDB faz um balanço do PAC no governo Dilma e aponta que dos R$ 40,2 bilhões reservados ao programa, no Orçamento de 2011, só R$ 1,9 bilhão (3,91%) foram pagos no período, enquanto os restos a pagar somaram R$ 10,6 bilhões, ou 32,2%. O líder do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), afirma que esses números mostram que Dilma passou o primeiro semestre "refém da gastança promovida pelo governo Lula, que deixou uma verdadeira ''herança maldita'' para sua sucessora". Nos dois últimos dias, a presidente Dilma rebateu essas acusações, destacando que recebeu de seu antecessor ''uma herança bendita''.

O parlamentar ainda questiona a capacidade administrativa da presidente. "A baixa execução do PAC é decorrente de incapacidade gerencial por parte do governo na execução das obras", disse. O balanço que os tucanos fizeram do PAC destaca ainda os atrasos na execução de projetos ligados à saúde. Informa que das 24 unidades orçamentárias do PAC no primeiro semestre a de menor execução foi a da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), com pagamentos autorizados de 0,01% dos R$ 863 milhões previstos. E destaca ainda que não foi feito em 2011 nenhum pagamento que seria destinado à construção de unidades básicas de saúde e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). "Na campanha, Dilma prometeu construir 500 dessas unidades", destaca o informativo.

O boletim tucano foi baseado em estudo feito por técnicos do partido e, além do PAC, analisa também a inflação, a carga tributária e o atraso nas obras para a Copa do Mundo de 2014. "A inflação estourou o teto e estamos com juros altíssimos, endividamento da sociedade e baixa capacidade de investimento. Temos que sair dessas armadilhas. No caso do governo, sair do discurso para a prática", avaliou Nogueira.

Corrupção. O Diário Tucano aborda também as crises políticas e os casos de suspeita de corrupção pelos quais passou o governo Dilma nos seis primeiros meses de gestão. A publicação retoma o caso dos aloprados, que coloca em suspeita o Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante; as acusações de cobrança de propina no Ministério dos Transportes, que derrubaram o ministro Alfredo Nascimento; a crise em torno da queda do ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci, que multiplicou por 20 seu patrimônio em quatro anos; e novas falhas detectadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em janeiro.

De acordo com o informativo, os escândalos paralisam ações do governo e envolvem "antigos colaboradores de Lula". Nogueira ainda critica o atraso nas obras para a Copa de 2014 e o Regime Diferenciado de Contratações (RDC) para as construções para o mundial de futebol e os Jogos Olímpicos de 2016. O dispositivo, instituído pela Medida Provisória 527, mantém o sigilo dos preços das obras durante a licitação para tentar evitar conluio entre os concorrentes. "Isso dará oportunidade para gastar mais do que o previsto", afirmou.

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