No AM, Lula elogia prefeito suspeito de desvio e fraude

Adail Pinheiro é acusado de chefiar quadrilha em Coari e de comandar rede de exploração sexual infantil

Leonencio Nossa e Silvia Amorim, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou ontem apoio ao prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro, sem partido, acusado pela Polícia Federal de desviar verbas públicas e montar uma rede de exploração sexual de crianças. Num momento de tensão política na cidade, onde está o campo de gás de Urucu, Lula chamou o prefeito de "nosso companheiro" e o cumprimentou pela administração no município. A visita do presidente a Coari para inaugurar um Centro de Formação Tecnológica (Cefet) e um campus da Universidade Federal do Amazonas foi marcada por protestos nas ruas contra o prefeito. Faixas e cartazes lembravam a Operação Vorax, da Polícia Federal, que em maio prendeu 21 pessoas, entre as quais o vice-prefeito e candidato à sucessão municipal, Rodrigo Alves, parentes e assessores de Pinheiro. A Operação Vorax recebeu esse nome em alusão a uma bactéria que se alimenta de petróleo. A Prefeitura de Coari recebe royalties pela exploração de petróleo e gás na região e parte desses recursos teria sido desviada, segundo as investigações da PF. A prisão do prefeito chegou a ser pedida, mas foi negada pela Justiça.Além disso, Pinheiro também é acusado de ter organizado festas com menores. O Ministério Público investiga as denúncias. Procurado ontem pelo Estado, ele não quis comentar as suspeitas. Anteontem, Pinheiro deu entrevista à Radiobrás para rebater as denúncias. Adail Pinheiro aproveitou a presença de Lula na cidade para fazer carreata pelo centro. Ele decretou ponto facultativo e ordenou que as escolas levassem as crianças para pontos da cidade por onde a comitiva presidencial passaria. Do lado de fora do Cefet, grupos de oposição ao prefeito protestavam. Em seu discurso, Lula culpou ex-governantes pelas mazelas sociais do Amazonas. "O problema não é dinheiro, mas quem governou este país", disse o presidente. Ele ressaltou a construção de novas universidades e Cefets. "Não quero que as pessoas passem o que eu passei por não ter a oportunidade de estudar", afirmou. Depois, Lula foi de helicóptero para o campo de gás de Urucu, onde visitou as obras do gasoduto. À noite, em discurso na abertura da Feira Internacional da Amazônia, em Manaus, Lula disse, reproduzindo uma frase que ouviu em sua viagem de avião pelo Amazonas, que acabou a era dos economistas administrarem o Brasil. "Terminamos a era dos economistas governarem o País e estamos entrando na era dos engenheiros voltarem a governar o País, de pensar gasto em infra-estrutura como investimento e não como simples gasto", afirmou."Depois do Geisel, que foi o último governo que investiu em infra-estrutura, a gente ficou de 1980 a 2002 atrofiado, como se estivesse em estado de coma", emendou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.