No Alvorada, Lula se reúne com embaixadores sul-americanos

Eles discutem dificuldades na execução de acordos entre o Brasil e esses países, principalmente infra-estrutura

11 Outubro 2007 | 14h16

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reúne nesta quinta-feira, 11, no Palácio da Alvorada,  com todos os embaixadores de países da América do Sul mais 12 ministros e presidentes de empresas estatais, como Petrobrás, Eletrobrás e Itaipu Binacional e também do BNDES. Na reunião, eles discutem as dificuldades na execução de acordos entre o Brasil e esses países, especialmente acordos de infra-estrutura.       Os embaixadores farão um relato ao presidente sobre os acordos firmados com os países sul-americanos que não saíram do papel ou que avançaram pouco menos do que o esperado.   Os principais gargalos a serem discutidos na reunião são as dificuldades de financiamentos, principalmente para executar projetos de infra-estrutura, a falta de fiscalização nas fronteiras, a precariedade das ligações aéreas entre os países e a dívida do Brasil com o Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focen).   Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, os entraves para financiamentos são um dos focos principais da reunião. "Queremos ver os obstáculos, o que não foi possível realizar. Financiamento é um gargalo para (investimento em) obras de infra-estrutura", afirmou Amorim. "O saldo (do andamento dos acordos) não está ruim, mas poderia ser melhor. Às vezes, a burocracia é lenta", disse o chanceler.   Juros altos e excesso de burocracia são problemas enfrentados pelas empresas que têm planos de investir nos países vizinhos. Segundo Amorim, só o BNDES aprovou, nos últimos quatro anos, US$ 6 bilhões em empréstimos para empresas dispostas e investir na América do Sul, mas menos de US$ 3 bilhões foram efetivamente desembolsados. O restante ficou apenas na intenção dos investidores, que acabaram desistindo dos projetos.   Outro assunto a ser tratado na reunião, e que certamente acarretará em cobrança aos ministros da Fazenda e do Planejamento, é o fato de o Brasil ainda não pagou sua contribuição ao Focen, fundo voltado para projetos de desenvolvimento da América do Sul, especialmente dos países mais pobres. O Brasil comprometeu-se a transferir US$ 52 milhões, mas no Orçamento da União estão previstos apenas US$ 8 bilhões. O restante dependerá de crédito extraordinário, a ser votado pelo Congresso Nacional.   Amorim disse que, pelo que conhece do presidente, Lula certamente fixará prazos para a solução dos obstáculos que impedem o avanço dos projetos do Brasil com os países sul-americanos. "São problemas que, em princípio, têm resposta. Não serão prazos homogêneos. Encontrar uma saída para a questão do financiamento não é simples", disse o ministro.

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