No adeus a Lucy Montoro, o reconhecimento de que ela mudou concepções

Cerca de 500 pessoas deram adeus, hoje, à viúva do ex-governador André Franco Montoro, Lucy Pestana Silva Franco Montoro, sepultada no final da manhã, no cemitério Gethsemani, ao lado do marido. A cerimônia, acompanhada pela cúpula do PSDB e também por adversários políticos do partido, reuniu a primeira-dama Ruth Cardoso, que representava o presidente Fernando Henrique Cardoso, a prefeita Marta Suplicy (PT), os ministros José Serra (Saúde) e Aloysio Nunes Ferreira (Justiça), além da primeira-dama do Estado, Maria Lúcia Alckmin. O bispo Cândido Padin, do Mosteiro de São Bento, celebrou a emocionante missa de corpo presente, acompanhado do coral Arautos do Evangelho. Dom Cândido é amigo pessoal da família e foi ele quem celebrou o casamento e as bodas de ouro do casal. A família, bastante emocionada, só não estava completa por causa da ausência da caçula de sete irmãos, Mônica, que ainda se recupera do acidente que vitimou sua mãe na madrugada de ontem, na Rodovia dos Imigrantes. Dona Lucy tinha 85 anos e foi citada por Ruth Cardoso como exemplo. "Estou muito comovida. Ela deixou um legado muito bonito, mostrou uma posição nova para as mulheres dos governadores. Ela assumiu com muita garra e competência o Fundo Social de Solidariedade e deu um exemplo maravilhoso de primeira-dama, que sempre foi de uma profunda elegância e que fez um trabalho muito bonito." A prefeita também a via como exemplo, assim como Montoro. "Sempre ligada às questões sociais". "Ela foi uma grande mulher", completou Marta. Ela mudou concepçõesPara o ministro Serra, dona Lucy "mudou a concepção de como era feita a assistência social em São Paulo". Opinião bem semelhante foi expressada pela deputada Luíza Erundina (PSB). A ex-prefeita de São Paulo disse que ela e dona Lucy eram colegas de profissão. Ambas eram assistentes sociais e amigas. "Por várias ocasiões tivemos oportunidade de atuar juntas. Minha relação com (o governador Franco) Montoro era muito próxima, mas dona Lucy tinha valor próprio. Ela mudou o papel da primeira-dama em São Paulo. Tinha uma visão técnica e profissional da assistência social, ao contrário de outras primeiras-damas, que por não ter informação, costumavam oferecer um atendimento assistencialista", declarou. O líder do PSDB na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Gilberto Natalini, classificou dona Lucy de ?mulher excepcional?. Segundo ele, ela era ?delicada, gentil, afetuosa e de grande consciência social. Estou muito sentido por sua morte e pelo Ricardo Montoro, nosso companheiro na Câmara?. O padre Rosalvino Viñayo, pároco da zona leste e amigo da família há 20 anos, declarou que a família Montoro deve servir de exemplo para a classe política brasileira. ?Dona Lucy visitava a periferia de São Paulo, que naquela época não tinha nada, nem um espaço para cuidar dos pobres. Como primeira-dama ela fez uma doação e construímos seis centros comunitários para a região. Eles são pessoas que passam pela vida e que ocupam cargos públicos para semear a fraternidade. Guardo muita saudade de dona Lucy?, disse o padre.

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