No 2º discurso do dia, Serra assume tom ofensivo contra Lula

Em seu segundo discurso como governador de São Paulo, José Serra (PSDB) voltou a adotar uma postura ofensiva em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de destacar a "crise de valores" em seu primeiro pronunciamento na Assembléia Legislativa, Serra avançou em questões nacionais e criticou o baixo crescimento econômico do País durante o primeiro mandato de Lula e avisou que será oposição ao presidente, embora o Estado vá apoiar projetos que sejam de interesse nacional. Segundo Serra, como governador de São Paulo, ele pretende ter "as melhores relações institucionais possíveis com o presidente Lula", desejando, inclusive, boa sorte ao presidente, porque isso "significa a boa sorte do nosso povo". Por outro lado, ele afirmou que fará oposição toda vez que o espírito das leis for atacado, bem como quando houver tentativa de atacar os fundamentos do Estado e que tentarem agir contra o interesse público."Não fomos, não somos, e nem seremos adeptos do quanto pior, melhor. Seremos oposição no plano federal, justamente porque não somos iguais", apontou em discurso no Palácio dos Bandeirantes. Serra disse ainda que São Paulo terá governo voltado para o Brasil e que "não encontrarão eco neste governador os que quiserem acender rivalidades fora do lugar e de hora, que militam contra os interesses do povo brasileiro".Ao atacar a administração Lula, Serra argumentou que há 25 anos o País vive uma "semi-estagnação". "Antes de ontem, ela poderia ser explicada pela superinflação devastadora; ontem, pela terapia anti-inflacionária e conjunturas externas turbulentas; hoje, quando o Brasil é praticamente o último da América Latina e dos emergentes, e o céu da economia internacional é de brigadeiro de seis estrelas, os resultados ruins não são colhidos da árvore da vida, da fatalidade, mas da fragilidade da política macroeconômica, hostil à produção e aos investimentos", acusou. "Não tenham dúvidas: a fatalidade, no que diz respeito aos povos, quase sempre conta a história de um erro, quando não da covardia", complementou.Duras críticasNa análise do governador, o País depende de um crescimento amplo e rápido da produção e do emprego, capaz de gerar benefícios materiais, além de fortalecer instituições e valores democráticos, estabilidade política, estimular a tolerância e ampliar as oportunidades. Da mesma forma, defendeu que a obtenção do crescimento econômico é a garantia de reduzir a demanda por assistência social do Estado.Ao criticar o fato de a economia brasileira não acompanhar a evolução verificada no Chile, em Portugal, na Espanha, e no Sudeste Asiático, Serra disse que o Brasil optou por manter estagnação e estabilidade, o que seria, segundo ele, um "vício". "É vital para o Brasil, para São Paulo, para todos os estados e regiões do País, a ruptura deste ciclo, que é também intelectual, de ambições modestas e fracassos bem-sucedidos em relação ao crescimento econômico", acentuou.Para ele, o Brasil precisa voltar a viver a época da metade do século passado, em que a produção, o comércio, a agricultura, e a indústria, cresciam e geravam empregos, sendo "mais importante que a ciranda financeira e as especulações dos rentistas que desfrutam as monumentais margens de arbitragem ensejadas pelos juros siderais". Acrescentou, ainda, considerar hoje "quase insanidade econômica" tentar produzir nas cidades brasileiras.Em nova ofensiva a Lula, disse que o momento para a busca do crescimento econômico é "para agora" e não "para amanhã". No final do discurso, Serra ficou emocionado, chegando às lágrimas, ao dizer que o ideal dele de solidariedade é o de servir as pessoas.

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