Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

‘Ninguém vai tolher meu direito de ir e vir’, diz Bolsonaro ao fazer passeio em Brasília

Presidente foi ao Hospital das Forças Armadas, fez compra em farmácia e visitou o filho Renan

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2020 | 11h17
Atualizado 10 de abril de 2020 | 18h00

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro aproveitou a sexta-feira da Paixão para fazer um novo tour por Brasília, contrariando novamente as recomendações sanitárias de isolamento social para evitar a propagação do novo coronavírus.

Bolsonaro deixou o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, pouco depois das 9 horas. Na saída, a comitiva do presidente evitou passar pela portaria principal, onde tradicionalmente os jornalistas e apoiadores permanecem à espera do presidente.

Ele primeiro foi ao Hospital das Forças Armadas (HFA), depois a uma farmácia no setor Sudoeste e, por fim, a um prédio residencial, na mesma região, onde mora o filho do presidente, Jair Renan.

Na farmácia e no prédio, apoiadores se juntaram para ver o presidente, também contrariando a orientação de se evitarem aglomerações. Bolsonaro pegou na mão de alguns apoiadores. Ele chegou a limpar o nariz e, com o mesmo braço, cumprimentou uma idosa.

Na rua, houve manifestações de apoio ao presidente, mas também houve pessoas que bateram panelas em suas janelas e gritaram palavras de ordem contra Bolsonaro.

“Eu tenho o direito constitucional de ir e vir. Ninguém vai tolher minha liberdade de ir e vir. Ninguém”, afirmou o presidente na saída da farmácia.

O Ministério da Saúde, seguindo a Organização Mundial de Saúde (OMS), ressalta diariamente a necessidade de as pessoas ficarem em casa e não saírem a não ser para alguma atividade essencial. A medida é fundamental, de acordo com as autoridades, para desacelerar a contaminação por coronavírus e aliviar o impacto sobre o sistema de saúde. Bolsonaro, por sua vez, defende medidas mais brandas.

Jornalistas que acompanharam a saída do presidente pela cidade questionaram Bolsonaro sobre o que ele foi fazer no hospital, mas ele não respondeu. Nas redes sociais, ao comentar a ida ao hospital e à farmácia, o presidente disse que “os repórteres se aglomeraram”, contrariando as normas de Saúde.

Na quinta-feira, Bolsonaro saiu do Palácio do Planalto e foi a uma padaria da Asa Norte de Brasília, onde comeu um pão doce e bebeu refrigerante. Segundo decreto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o comércio pode vender alimentos, mas não é permitido comer no local. Nas imagens, é possível ver que o presidente abraçou funcionários do local, cumprimentou pessoas com abraços e apertos de mão, posou para fotos. Também há sons de vaias e de algumas panelas.

No dia 29 de março, o presidente já havia quebrado o isolamento ao percorrer comércios em Taguatinga e Ceilândia, regiões administrativas do Distrito Federal. O passeio havia ocorrido um dia após o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reforçar o pedido para que as pessoas mantenham o distanciamento social.

Bolsonaro tem reiterado seu posicionamento contrário ao isolamento social como método para conter a epidemia de coronavírus.Ele considera que esse método prejudica a economia, responsabiliza os governadores que determinaram o fechamento de lojas e defende a reabertura do comércio.

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