‘Ninguém vai me separar do Lula’, avisa Dilma

Petista fecha campanha em Belo Horizonte, com discurso em defesa da união de segmentos sociais e políticos no País

Malu Delgado e Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 13h52

BELO HORIZONTE - Em frente à Lagoa da Pampulha, símbolo da capital mineira, a candidata à Presidência do PT, Dilma Rousseff, finalizou a disputa eleitoral reforçando o elo com o a figura política que viabilizou e construiu sua candidatura: "Não há ninguém neste País que vai me separar do presidente Lula".

 

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Diante da possibilidade de ser eleita neste domingo a futura presidente, Dilma já iniciou apelos pela "união" de segmentos sociais e políticos no País e afirmou que governará "de forma republicana", independentemente de partidos políticos aos quais pertençam governadores e prefeitos. Em Minas, o governador Antonio Anastasia (PSDB) foi reeleito.

 

"Se eu for eleita, logo após a eleição, eu quero unir o Brasil em torno de um projeto de desenvolvimento, não só material, mas de valores. Porque eu acredito que o nosso País vai se transformar cada vez mais num exemplo de convivência, tolerância e capacidade de viver em paz", afirmou a candidata.

 

A petista afirmou que o fechamento da campanha em Minas era simbólico. "Comecei a minha vida política aqui em Belo Horizonte. Foi aqui que eu participei ainda na época da ditadura das primeiras manifestações políticas. Participei de passeatas e de todas as caminhadas que ocorreram logo depois da morte do Edson Luís. Aqui em Belo Horizonte é um local que eu sempre tenho como referência quando se trata do início da minha vida política."

 

Dilma reiterou que "quando a gente ganha uma eleição a gente tem de governar para todos os brasileiros, sem exceção". Em seguida, explicou que não se trata de fazer convites para governar junto com a oposição: "Eu tenho uma coligação, e vou governar com a minha coligação, agora, eu vou governar para todos os brasileiros sem exceção". A candidata afirmou que vai se relacionar com todos os políticos e governadores, "mesmo que sejam de outros partidos, de uma forma republicana, de uma forma muito transparente.

 

Sempre questionada sobre o papel de Lula em seu eventual futuro governo, a petista reiterou os laços de confiança "política e pessoal no presidente". "Obviamente não será uma presença dentro do ministério. Agora, para mim, que tenho uma relação muito forte com o presidente Lula, construída ao longo dos oito anos que participei do governo, ele será sempre uma pessoa em quem eu tenho imensa confiança política, pessoal. (...) Sempre que puder terei conversas, conversarei com o presidente, terei com o presidente uma relação muito íntima e muito forte", explicou.

 

Após uma tumultuada entrevista coletiva sob uma tenda montada em frente à lagoa na região da Pampulha, Dilma seguiu em carreata por Venda Nova, região da periferia onde é bem votada. A coordenação de campanha espalhou pela capital vários cavaletes com placas reforçando a relação da petista com a cidade. "Dilma fez esporte aqui", dizia uma delas, com a foto do Minas Tênis Clube. "Dilma estudou aqui", dizia outra, com a imagem do Colégio Estadual Central. As placas foram colocadas em ruas pelas quais passou a carreata de Dilma. "BH tem Dilma 13", diziam os textos.

 

Acompanharam a ministra num carro aberto durante a carreata o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, e o ex-prefeito Fernando Pimentel, derrotado na disputa ao Senado em Minas. Num carro logo atrás seguiam o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) e o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia.

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