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Ninguém sabe onde estão cestas para índios

Ministério alega que libera, mas desconhece que alimento não chega a aldeia em Dourados

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2003 | 00h00

A morte de mais uma menina na Reserva Indígena de Dourados, a 220 quilômetros de Campo Grande (MS), reacendeu o alerta sobre a situação dos 12 mil índios do local. A reserva ganhou as manchetes em 2005, quando mais de duas dezenas de crianças morreram por subnutrição, que também matou Francieli de Souza, de 2 anos, na quarta-feira. Índios guaranis das aldeias Bororó e Jaguapiru dizem que há três meses não recebem as cestas básicas distribuídas pelo governo federal desde a crise de 2005. O Ministério do Desenvolvimento Social diz que liberou as cestas."Liberamos as cestas.E não temos informações de índios sem receber alimentos", disse a coordenadora geral de Apoio a Grupos Vulneráveis do ministério, Lea Rocchi Sales. O que "pode" ter acontecido, diz ela, é que "o governo de Mato Grosso do Sul deixou de atender algumas famílias, não vulneráveis". Desde junho, a lista de beneficiados passou ao controle do governo estadual, que faz a distribuição com a Fundação Nacional do Índio (Funai) e Fundação Nacional de Saúde (Funasa). A Funai informou que a distribuição das cestas é atribuição da Funasa. "Estamos sendo cobrados por algo em que entramos para auxiliar a Funai, que teve problemas de logística e pessoal", disse o diretor do Departamento de Saúde Indígena (Desai) da Funasa, Wanderley Guenka. Ele disse não saber porque houve problemas na distribuição das cestas. "Isso é com o MDS. Tiveram problemas na aquisição (de alimentos). Pergunte a eles", sugeriu. Segundo o Desenvolvimento Social, 5.500 cestas de 44 quilos de alimentos foram retiradas dos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) pela Funasa em maio. Em junho, foram 10.300. Dessa vez, pelo governo do Estado. Outras 12 mil estão liberadas, mas ainda não foram retiradas. Já o governo de Mato Grosso do Sul garante que a distribuição está normalizada e diz que prestará contas ao governo federal. Os índios de Dourados dependem das cestas porque não têm onde plantar. A distribuição dos alimentos, desde 2005, contribuiu para a queda da mortalidade infantil, de 64 mortes por 1 mil habitantes, naquele ano, para 25 em 2006, segundo a Funasa.

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