Ninguém quer assumir busca à ''fortuna'' de Jânio na Suíça

Neto atribui procura da suposta conta no exterior a advogado, que nega

Mariana Barbosa, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

A Operação Castelo de Areia, que investiga doações suspeitas da construtora Camargo Corrêa para políticos, trouxe à tona um dos grandes mistérios da história política brasileira: qual o paradeiro da conta que o ex-presidente Jânio Quadros teria na Suíça?"Sempre existiu essa lenda de que o Jânio tinha uma fortuna no exterior", diz Jânio Quadros Neto, de 36 anos, que foi grampeado na investigação policial conversando com o advogado Marcos Vilarinho sobre o andamento das buscas à conta.Pai de Adriana Vilarinho, dermatologista que trata de praticamente todas as celebridades nacionais - do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Marisa Letícia à top model Gisele Bündchen -, o advogado também caiu no grampo por causa de suas relações com o consultor Kurt Pickel, indiciado pela Polícia Federal por crimes financeiros e também envolvido na procura da suposta conta de Jânio. Jânio Neto admite que tentou descobrir o paradeiro da conta. Mas diz que foi Vilarinho quem o procurou, em 2007. "Ele me disse que tinha informações sobre a existência de uma conta no exterior com saldo vultoso e me pediu honorários", disse Jânio Neto, que conversou com a reportagem na sexta-feira. "Eu disse que não ia pagar, mas, se ele encontrasse, eu pagava uma comissão." Questionado se deu procuração a Vilarinho para procurar a conta, ele se limita a dizer que entregou documentos. "Ele pediu algumas informações e eu dei alguns documentos. Só isso que eu posso falar." Vilarinho contesta a informação. "Se ele me deu uma procuração é porque me procurou", argumentou. "Mas as investigações não deram em nada, pois a família não quis pagar para o advogado suíço fazer a investigação." A busca custaria entre US$ 100 mil e US$ 200 mil. Nas conversas grampeadas, Vilarinho revela que a família Quadros resolveu ir atrás da fortuna perdida porque só agora seus membros teriam se acertado sobre como repartir o dinheiro. Outra explicação, colhida com pessoas próximas, é que os herdeiros se convenceram de que os supostos crimes cometidos por Jânio já estariam prescritos. Bastaria, portanto, pagar os impostos e repatriar a herança.ESCÂNDALOJânio se elegeu prefeito de São Paulo em 1985 prometendo dar vassouradas na corrupção. Em 1987, se viu em meio a um escândalo que partiu de sua própria filha, Tutu Quadros, com quem tinha relação tumultuada. Naquele ano, Tutu entregou ao então vereador Walter Feldman (PSDB) uma carta assinada por sua mãe, Eloá, em que esta revela a existência de uma conta no Citibank, na Suíça. Quando o escândalo foi deflagrado, Jânio teria constituído um trust e transferido o dinheiro para outra conta.

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