''''Ninguém governaria sem esse imposto''''

Lula faz elogios à Câmara e diz que nunca criticou parlamentares

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2020 | 00h00

No mesmo momento em que a Câmara começava ontem a discutir a votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) em primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou uma solenidade do PAC da Funasa para fazer rasgados elogios ao Congresso e mandar um recado à oposição, avisando que ninguém consegue governar o País sem essa arrecadação. Lula disse que tem "gente que só vê desgraça" e "só fala contra" o Congresso, mas a Câmara "tem dado uma contribuição extraordinária nas coisas que são prioritárias para o País". Ouça o áudio do discursoAo agradecer aos deputados que aprovaram as medidas do PAC, Lula disse que "nenhum ser humano" e "nenhum partido" conseguiria governar sem a CPMF hoje. Depois de afirmar que está há mais de quatro anos no governo e "não faz uma crítica ao Congresso", Lula ironizou os adversários: "Aqueles que acham que é simples acabar (com a CPMF) deveriam propor para depois de 2010." "Nenhum governo, nem do PT, nem do PMDB, nem do PSDB, nem do PFL, se viessem mais partidos novos, ninguém conseguiria governar sem a CPMF", declarou o presidente, na solenidade. "Qualquer pessoa de juízo neste país, a não ser aqueles que querem inviabilizar o Brasil, sabem que nem o governo Lula nem o governo de qualquer outro ser humano poderia abrir mão da CPMF nesse instante."Ainda no discurso de improviso, no lançamento do PAC para atendimento sanitário a cidades com até 50 mil habitantes, Lula comemorou os resultados positivos da sua gestão. Para isso, repetiu um bordão usado pelos governos militares, alegando que, se todos continuarem agindo com seriedade e sobriedade, o País se transformará numa grande economia mundial: "Ninguém segura este País."Lula fez questão de elogiar inúmeras vezes o Congresso, disse que os parlamentares melhoram as propostas enviadas pelo Executivo e chegou a brincar com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) - presente à cerimônia. "Esses seus cabelos brancos ficarão mais negros se você conseguir aprovar tudo o que nós vamos mandar para lá", disse.O presidente defendeu a regulamentação da emenda 29, que obriga a vinculação do Orçamento à aplicação de recursos na área de saúde. Ainda assegurou que está vivendo "o melhor momento de sua vida como presidente", porque está colhendo o que foi plantado. Lula disse que nem a crise que atinge os mercados norte-americano e europeu afeta o Brasil. "A porca entortou o rabo, não deu certo e agora eles estão perdendo e o Brasil, até agora, está tranqüilo", disse. "Até agora, essa crise não chegou à fronteira brasileira, nem à fronteira terrestre, nem à fronteira oceânica, porque nós nos preparamos juntando um volume de reservas de US$ 162 bilhões, diminuindo a nossa dívida externa, e não devemos nada ao FMI, não devemos nada ao Clube de Paris."Ele afirmou, também, que vai deixar um "grande legado" para seu sucessor: "Ele vai pegar um País muito mais arrumado, muito mais engrenado." E finalizou com uma estocada no governo do antecessor, Fernando Henrique Cardoso: "O País não tinha sequer projeto."ANO-NOVOÀ tarde, o presidente Lula recebeu cerca de 30 representantes da comunidade judaica no Palácio do Planalto, em comemoração do Rosh Hashaná, o ano-novo judaico. Lula fez nova tentativa este ano, mas, a exemplo do que ocorreu em 2006, não conseguiu tocar o shofar, instrumento de sopro feito de chifre de carneiro e usado na celebração do ano-novo. Os judeus ingressam no ano 5768, segundo o calendário que adotam.

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