'Ninguém está imune a investigação, eu não estou e nem a presidente', diz Cunha

Presidente da Câmara dos Deputados foi citado entre os 50 nomes que serão investigados por esquemas de corrupção na Petrobrás 

Elizabeth Lopes , O Estado de S. Paulo

07 de março de 2015 | 01h58

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou com exclusividade ao Broadcast Político que está tranquilo após a divulgação da lista de políticos que serão investigados no âmbito da Lava Jato. "Estou muito tranquilo porque quem não deve, não teme, e ninguém está imune `a investigação. Eu não estou imune, ninguém está, nem o presidente do Senado (Renan Calheiros), nem a presidente da República (Dilma Rousseff)", disse.

Na entrevista, concedida na saída da TV Bandeirantes, onde gravou o programa Canal Livre, que será exibido neste domingo, 8, Cunha disse que é necessário aguardar os fatos se esclarecerem porque esta "é uma corrida de longo prazo". "Não está havendo nenhuma denúncia, mas apenas um pedido de investigação", disse. "E não tenho nenhuma dificuldade de enfrentar qualquer tipo de investigação, porque não devo e, quem não deve, não teme", reiterou.

Segundo o presidente da Câmara, a inclusão de seu nome e do nome do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), entre os investigados por suposto envolvimento no esquema de desvio de recursos da Petrobrás não deverá provocar um acirramento da crise que o governo atravessa principalmente nas relações com o Parlamento. "Há um outro tipo de problema político que tem de ser resolvido, que é a dificuldade da articulação política (do governo Dilma)", disse. "Mas não quero misturar as coisas. De minha parte não altera em nada".

Cunha disse que não é nenhuma novidade a inclusão de seu nome na lista preparada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, porque os jornais já haviam noticiado isso há três dias. "O que eu quero saber é o conteúdo do que está lá, pois sem conteúdo é muito difícil me manifestar", disse. "Com conteúdo, me manifestarei de forma contundente em todos os pontos."

O presidente da Câmara evitou criticar diretamente o procurador, mas ponderou que o procedimento que a Procuradoria-Geral da República costuma adotar é a realização de um pedido de explicações antes de requisitar a abertura de um inquérito. "O procurador optou por não fazer isso", disse.

O peemedebista disse que a partir do conhecimento do conteúdo do inquérito será possível avaliar se Janot tem ou não razão. "Se for o mesmo conteúdo que já motivou minha defesa e as provas de minha parte com relação ao envolvimento do suposto policial, certamente minha defesa vai ser muito fácil, porque é uma coisa absurda", afirmou.

Cunha disse que chegou a encaminhar uma petição à PGR em sua defesa mas isso deve ter sido desconsiderado. Segundo ele, nesta petição anexou a certidão de seu imóvel para comprovar que não é seu o endereço citado pelo policial acusado de entregar dinheiro em nome do doleiro Alberto Youssef. "Vou encarar tudo com muita tranquilidade", afirmou.

O policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, disse à Polícia Federal que levou dinheiro "duas ou três vezes" a uma "casa amarela" em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Afirmou também que o doleiro havia dito que o endereço era de Eduardo Cunha. Na retificação, Careca disse que o imóvel estava localizado em um outro condomínio no mesmo bairro e que não tinha como saber se era mesmo o endereço de Cunha.

Após a retificação de Careca, o advogado criminalista Antonio Figueiredo Basto, responsável pela defesa de Youssef, disse que seu cliente "não sabe nada a respeito de entregar dinheiro" para Cunha e protocolou petição na Justiça Federal no Paraná em que afirma que o doleiro "nunca teve qualquer relação" com o parlamentar. Cunha sempre negou ter recebido favor ou dinheiro de Youssef.

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