‘Ninguém está fazendo o discurso de conciliação’

Para Danilo Cersosimo, um dos responsáveis pela pesquisa Ipsos, os brasileiros querem um candidato de conciliação em 2018, mas ninguém está fazendo esse discurso. Leia a seguir trechos de entrevista: 

Entrevista com

Danilo Cersosimo, do Ipsos

Daniel Bramatti, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2017 | 17h43

O que explica o desgaste dos principais líderes do PSDB?

No caso do PSDB, entendo que é uma tendência que vem se construindo por “n” fatores. A gente não pode tirar do radar o fato de que eles fazem parte de um governo mal avaliado por 88% da população. O segundo fator, e acho que isso pesa mais para quem tem mais escolaridade e acesso à informação, é a própria falta de coesão do partido. Isso é evidente para quem acompanha política um pouco mais de perto. 

Isso também afetaria João Doria? Ele tem os melhores números no partido, mas a taxa de desaprovação é maior que a de aprovação.

Doria tem uma imagem oscilante. O fator de novidade já se desgastou. A tentativa de se colocar sempre no lado oposto extremo do de Lula pode estar fazendo com que ele perca a chance de ser o candidato de aglutinação. Nós não temos esse nome na política brasileira. Ninguém é percebido assim pela população. Todo mundo está partindo de um discurso mais extremo, talvez inspirado em movimentos que vêm de fora do Brasil, e está esquecendo de que o que o brasileiro mais precisa é de alguém que concilie. Isso é dado de pesquisa.

É uma oportunidade para os não políticos?

Existe uma preferência por votar naqueles que não são da política, que vêm de fora da política. Neste sentido, Jair Bolsonaro e Doria têm potencial eleitoral. Mas eles já estão começando a ser vistos como políticos tradicionais. A partir do momento em que Doria vai falar com Gilmar Mendes, com Temer, não está fazendo nada de diferente dos outros.

Por que a inclusão de Luciano Huck na pesquisa?

 Em algum momento ele sinalizou interesse. É claro que aprovação e desaprovação não significa necessariamente intenção de voto, mas ele tem uma avaliação consistente. O cenário está tão nebuloso que é bem possível alguém chegar de última hora, fazendo discurso mais adequado, e ter chance de ganhar. Testamos o Huck. Não sabemos quem é.

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