Nilmário não aprendeu a conviver com divergências, diz Pinaud

Para o presidente demissionário da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos, João Luiz Duboc Pinaud, a falta de vontade política para abrir os arquivos da ditadura militar se traduziu em falta de condições administrativas para realizar as tarefas do cargo."O governo precisa ter posição clara e de vanguarda nessa área e não essa atitude tímida que mantém", acusou. Pinaud atribuiu sua saída à falta de sintonia com o titular da secretaria de Direitos Humanos, Nilmário Miranda. "Nunca encontrei nele ressonância a minhas idéias e objetivos. Ele não aprendeu ainda a conviver com as divergências", reclamou. Pinaud afirmou ainda que não vê Nilmário Miranda empenhado na questão da abertura dos arquivos da ditadura. "Só saberei o que o presidente Lula pensa quando lhe entregar minha carta de demissão, na próxima reunião da Comissão, no dia 9 de dezembro, ou antes, se for possível", disse.O presidente da OAB, Roberto Busato, confirmou que apóia a decisão de Pinaud e foi mais enfático em suas críticas ao governo quanto à questão da abertura dos arquivos da ditadura. "Não há uma unidade de pensamento e discurso. O Nilmário fala uma coisa, o ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) diz outra e o presidente Lula vem com uma terceira", comentou Busato.

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