Nicolau tenta livrar apartamento de confisco

O juiz Nicolau dos Santos Neto transferiu o apartamento de Miami, avaliado em US$ 1,1 milhão, para uma empresa situada no paraíso fiscal do Panamá, a Chester International Management Corp.A operação foi executada em maio de 2000, um mês depois que Nicolau teve sua prisão decretada pela Justiça Federal - em dezembro, ele rendeu-se à Polícia Federal.A Chester pertence ao empresário argentino Adolfo Joaquin Bartra, residente no Uruguai. Registro público de Montevidéu aponta como procurador de Bartra o empresário brasileiro Diogo Rogério Xavier da Silveira Talocchi, amigo de Nicolau.Segundo a Polícia Federal, Talocchi adquiriu um Porsche do juiz por R$ 125 mil.Documentos que revelam os detalhes do negócio foram enviados há duas semanas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos ao governo brasileiro.Para os procuradores federais que investigam o patrimônio de Nicolau - supostamente adquirido com recursos desviados das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo - a transação reforça os indícios de que o ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho montou um esquema para "fabricar papéis".O principal objetivo seria "confundir" as autoridades sobre a identidade do proprietário do imóvel situado à avenida Brickell, 2.127, em Miami. Os procuradores estão convencidos de que Nicolau quer excluir o apartamento da relação de bens bloqueados pela Justiça de São Paulo. O embargo foi confirmado pela Justiça norte-americana.O apartamento foi comprado em março de 1994 pela Hilside Trading, pessoa jurídica que Nicolau constituiu nas Bahamas um mês antes. Na mesma época, o juiz autorizou remessa de US$ 1,72 milhão da conta Nissan na Suíça para a conta da Hilside na agência do Santander na Flórida.Nicolau é titular da Nissan, cujos ativos - US$ 3,8 milhões - foram tornados indisponíveis pela Procuradoria-Geral do Cantão de Genebra. Pelo menos US$ 1 milhão teriam sido enviados para a Nissan pelo senador cassado Luiz Estevão, apontado pela Procuradoria da República como o verdadeiro proprietário da Incal Incorporações, empreiteira contratada por Nicolau para construir o fórum.Estevão nega envolvimento no caso. Ele diz que é vítima de uma "perseguição atroz" do Ministério Público Federal.Dois anos depois de adquirir o imóvel, Nicolau nacionalizou a Hilside, criando em Miami a Biarritz Properties Corp. Em dezembro de 1999, surgiu a Stedman Properties Inc., sucessora da Biarritz. O procurador da Stedman chama-se Manuel Alonso. O rastreamento promovido pelos investigadores norte-americanos mostra que a panamenha Chester adquiriu as ações da Stedman, incorporando ao seu "patrimônio" o apartamento de Miami.O argentino Bartra sustenta ter pago US$ 780 mil pelo imóvel, mas não apresentou documentos que comprovem a autenticidade do negócio. O MPF suspeita que os papéis foram registrados em cartório público com a intenção de ´furar´ o bloqueio judicial.

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