Neurolinguista explica porque emoções influenciam no voto

Estudioso de Berkley, George Lakoff é ativista do Partido Democrata dos Estados Unidos

Lucas de Abreu Maia, de O Estado de S.Paulo,

24 de abril de 2010 | 18h29

Quando decidiu publicar The Political Mind (A Mente Política) em 2008, o neurolinguista George Lakoff tinha um objetivo claro: ajudar o Partido Democrata a vencer as eleições presidenciais americanas daquele ano. A consequência deste engajamento político é uma promiscuidade entre ciência e ideologia - raramente uma combinação saudável. Proselitismo a parte, o livro traz, de fato, uma nova perspectiva sobre o comportamento dos eleitores. Se, na política brasileira, já sabíamos desde 1989 que alcançar as emoções do eleitor é fundamental para angariar seu voto, agora a neurociência explica o porquê.

 

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A teoria de Lakoff se baseia em duas premissas básicas: primeiro, o cérebro lida com a realidade por meio de metáforas e pontos de vista subjetivos. Segundo, o modo como entendemos a política está sujeito a nossos valores morais. O livro descreve em detalhes dois sistemas morais distintos e irreconciliáveis: conservador e progressista. Em comum, ambos projetariam no governo uma metáfora da estrutura familiar; a dissensão ocorre quanto às qualidades da figura paterna. Para os conservadores, o governo representa um pai austero, que ensina uma rígida disciplina a seus filhos, mas os deixa a seus próprios meios uma vez cumprida sua educação. Os progressistas, por sua vez, veem no Estado a imagem de um pai atencioso e sempre presente, que protege e oferece oportunidades aos filhos.

 

Aceitar estas premissas joga uma luz sobre os aspectos inconscientes do voto, e permite entender que nossas escolhas eleitorais não são respostas imediatas a problemas específicos, mas, sobretudo, refletem nossa moral.

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