Neto de Sarney também vendeu seguros para servidores do Senado

Negócios eram feitos em parceria com o Grupo MBM, empresa com sede no Rio Grande do Sul

Rodrigo Rangel e Leandro Colon, O Estadao de S.Paulo

30 de junho de 2009 | 00h00

A Sarcris Consultoria - empresa de José Adriano Sarney, neto do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) - também atuou na venda de seguro de vida para servidores da instituição, além de intermediar empréstimos consignados. As vendas eram feitas em parceria com o Grupo MBM, empresa sediada no Rio Grande do Sul com negócios na área de seguros e previdência privada. Confira especial sobre os atos secretos no SenadoOntem, o gerente do escritório da MBM em Brasília, Roberto Toledo, confirmou a parceria informal com a Sarcris. "Quando o servidor fazia o empréstimo, era oferecido a ele fazer o seguro da MBM", afirmou, em entrevista gravada.Segundo Toledo, a estratégia era aproveitar a oferta de empréstimos consignados aos servidores - principal ramo de atuação da Sarcris - para também vender seguro de vida. "Mas, veja bem, não fazíamos venda casada (o que é proibido por lei)", apressou-se a dizer.O gerente da MBM disse que a Sarcris foi indicada à sua empresa pelo HSBC, banco que, segundo o próprio José Adriano Sarney, era um de seus principais parceiros no negócio do crédito consignado no Congresso. Toledo relatou que "a Sarcris, por ser (representante) do HSBC, foi indicada para fazer a comercialização (dos seguros de vida)". Ele afirmou que seu contato na Sarcris era o próprio José Adriano, 29 anos, filho do deputado Sarney Filho (PV-MA). "Eu falava com o Adriano e com um outro rapaz, um funcionário que ficava no Senado fazendo os empréstimos." O gerente disse ignorar o parentesco entre José Adriano e o presidente do Senado. "Nunca soube disso."EXPLICAÇÕESProcurado ontem, Christian Hrdina, um dos sócios da Sarcris, não quis falar sobre a atuação da empresa na área de seguros. Por telefone, José Adriano negou que a Sarcris tenha operado no setor. "Nunca operei, nem tenho autorização para isso", disse. Ele demonstrou preocupação com o fato de a Sarcris não ter autorização para negociar seguros.Em sua página na internet, a Sarcris destaca seus dois parceiros: HSBC e MBM. Até ontem, havia links remetendo para as páginas do banco e da seguradora gaúcha. Indagado sobre a razão de a MBM figurar na página da Sarcris na internet, José Adriano foi lacônico. "Não sei", disse, desligando em seguida.Para os servidores do Senado, a MBM costumava oferecer dois produtos: seguro de vida com direito a resgate após um ano e o chamado seguro contra acidentes pessoais, que inclui assistência funeral. Corretores de seguros, assim como os vendedores de crédito consignado, recebem comissão pelos contratos fechados.O Estado revelou na quinta-feira que a empresa do neto de Sarney intermediou empréstimos consignados dentro do Senado.Ontem, o presidente do Senado enviou uma nota aos colegas, na qual procura se desvincular da atuação do neto no Congresso. Segundo Sarney, não é possível fazer relação entre seu cargo de presidente e a Sarcris.

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