Neto de Sarney nega favorecimento em crédito no Senado

Nova denúncia, revelada pelo 'Estado', aponta neto de Sarney em esquema de crédito consignado da Casa

Rosana de Cassia, de O Estado de S. Paulo,

25 de junho de 2009 | 14h15

O neto do presidente do Senado, José Adriano Cordeiro Sarney, divulgou nota nesta quinta-feira, 25, negando que tenha recebido favorecimentos para atuar como operador de crédito consignado para funcionários da Casa, em resposta à manchete de hoje do jornal O Estado de S.Paulo. Ele nega também que a empresa Sarcris, da qual é sócio, responsável pela operação, seja fantasma.

 

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Segundo José Adriano, a empresa já contou com 15 empregados "com carteira assinada", mas por causa da crise e da consequente retração do crédito no Brasil, foi obrigada a reduzir suas atividades e rescindir o contrato de aluguel. José Adriano confirma que foi funcionário do HSBC e que nessa condição fez uma parceria com o banco para cuidar de convênios que o banco mantinha desde 1995 com instituições públicas e empresas privadas, inclusive o Senado.

 

Cresce no Senado a pressão para que Sarney se afaste da presidência. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) vai  pedir a licença do peemedebista nesta tarde, da tribuna. Para ele, a crise do Senado se transformou em uma crise do presidente José Sarney (PMDB-AP) e, portanto, o "melhor que ele tem a fazer é se afastar".

 

"Não estou pedindo para ele sair como punição, apenas acho que é melhor para todos ele se afastar. Essa última do neto que teria participação no sistema financeiro esgotou. O melhor que Sarney faz é se afastar e deixar andar essas coisas. Senão, vai ser manchete permanente de jornais. Ele diz que é 'uma crise do Senado, não minha',  mas se transformou numa crise dele", contou o senador ao estadao.com.br.

 

O PSOL informou que vai entrar com representação no Conselho de Ética do Senado contra contra Sarney e contra os ex-presidentes Renan Calheiros (PMDB-AL) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). Internamente, o PSOL discute se as representações serão protocoladas nesta quinta-feira, 24, como defende Heloisa Helena, ou se na próxima semana. A r

epresentação do PSOL pode obrigar Sarney a se afastar. Uma

resolução do Senado prevê afastamento preventivo quando membro da Mesa Diretora é alvo de processo.

 

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que a situação de Sarney com a nova denúncia caminha para a "inviabilidade". O senador voltou a cobrar respostas imediatas e drásticas por parte de Sarney. "Não sei se é licença ou renúncia. Mas ele está indo mal e precisa responder com urgência. O que se desenha é uma crise institucional. Creio que seja a maior que já vi depois da ditadura militar. É uma crise maior que a do mensalão, porque envolve agora um poder mais fraco do que o Executivo", ressaltou.

 

(Com Andréia Sadi, do estadao.com.br)

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