Netinho retoma eventos de campanha ao lado de Haddad

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, visitou na manhã desta terça-feira o Mercado Municipal, no centro de cidade, acompanhado do cantor Netinho de Paula, candidato a vereador pelo PC do B que abriu mão de disputar a Prefeitura em nome da coligação com o PT.

BRUNO LUPION, Agência Estado

04 de setembro de 2012 | 21h05

Netinho não aparecia em caminhadas de rua de Haddad havia dois meses - a última fora em 10 de julho, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo -, e disse que ampliará sua presença até o dia da eleição. "Estava fazendo campanha individualmente nas zonas sul e norte, mas agora vou aparecer mais", afirmou o ex-vocalista do Negritude Júnior e hoje apresentador de TV.

O petista chegou ao mercado às 9h, menos de oito horas após o encerramento do debate na RedeTV, na noite de segunda-feira, 3, e comeu frutas, conversou com estudantes e propôs construir um estacionamento subterrâneo na região por meio de Parceria Público-Privada para oferecer maior conforto aos compradores.

Com o início do horário eleitoral na TV, Haddad passou a ser mais conhecido e procurado pela população nas caminhadas de rua, mas nada comparável ao assédio recebido por Netinho nesses eventos, que aproveita o contato com os fãs para apresentar o petista.

Ao reconhecer o cantor, a auxiliar de limpeza Iara de Araújo, 36 anos, encostou a vassoura na parede e foi atrás de um abraço. "Vem cá querida, já conhece o Haddad?", perguntou Netinho. "Me falaram dele", Iara respondeu. "Vou te apresentar", disse o cantor, puxando-a para uma foto com o petista.

Mais adiante, outro jovem gritou: "Netinho, dá aqui um alô", abrindo o sorriso do cantor. "Rapaz, chega mais, esse aqui é o Haddad, nosso mano!", respondeu.

Durante a caminhada, Haddad e Netinho foram convidados pelo vendedor Joenilson de Jesus Silva, 49 anos, a provarem frutas exóticas. A degustação foi longa: eles experimentaram pitaia colombiana ("para combater o estresse do dia a dia"), atemoia ("sabor de leite condensado"), granadilha, decopom ("começa azeda e termina como favo de mel") e mangostinho. "Para, rapaz!", brincou Haddad, diante da empolgação do vendedor. O petista saiu de lá com uma dúzia de mangostins, comprados por uma assessora a R$ 40.

Em seguida, Haddad se deparou com um grupo de vinte estudantes de um projeto educacional da BM&F e Bovespa que visitavam o mercado. Eles abordaram o petista e perguntaram sobre projetos para a zona leste, ouvindo a proposta de levar uma universidade federal à região. A professora Karine Durães, 28 anos, gostou da coincidência e estimulou os alunos a falaram com o candidato. "É preciso gostar e se interessar por política para mudar o mundo, que é o que eles tanto desejam", disse.

Catarata

Ao final da caminhada, o petista foi abordado pela aposentada Carla Tonelli, 70 anos, que disse acompanhar todos os programas eleitorais de TV. Ela afirmou que espera há dois anos para fazer uma cirurgia de catarata na rede pública de saúde e reclamou do atendimento oferecido pelo Cema, hospital privado conveniado à Prefeitura.

"Vejam só, mais um caso daqueles", comentou Haddad, referindo-se à história do caminhoneiro José Machado, que foi personagem de um programa eleitoral do PT no qual também dizia aguardar por uma cirurgia de catarata há dois anos.

Infração

Ao sair do Mercado Municipal, um agente da CET afirmou à reportagem que o veículo usado diariamente por Haddad - um Ford Fusion preto - tinha uma película escurecedora irregular aplicada no para-brisa dianteiro.

Segundo a legislação de trânsito, o para-brisa frontal deve ter uma transparência mínima de 75%, o que restringe a aplicação de películas escurecedoras. A infração é punida com multa de R$ 127,69, cinco pontos na carteira de habilitação e recolhimento do veículo até a retirada da película.

Segundo o agente, que não quis se identificar, a transparência no para-brisa do veículo de Haddad era inferior a essa taxa, mas ele não poderia multá-lo pois compete à Polícia Militar fiscalizar esse tipo de acessório.

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