Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Netinho retoma eventos de campanha ao lado de Haddad

Candidato a vereador pelo PC do B, que abriu mão da disputa pela Prefeitura em nome da coligação com PT, não aparecia em caminhadas com o petista havia dois meses

Bruno Lupion, de O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2012 | 14h45

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, visitou na manhã desta terça-feira, 4, o Mercado Municipal, no centro de cidade, acompanhado do cantor Netinho de Paula, candidato a vereador pelo PC do B que abriu mão de disputar a Prefeitura em nome da coligação com o PT.

 

Netinho não aparecia em caminhadas de rua de Haddad havia dois meses - a última fora em 10 de julho, em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo -, e disse que ampliará sua presença até o dia da eleição. "Estava fazendo campanha individualmente nas zonas sul e norte, mas agora vou aparecer mais", afirmou o ex-vocalista do Negritude Júnior e hoje apresentador de TV.

O petista chegou ao mercado às 9h, menos de oito horas após o encerramento do debate na RedeTV, na noite de segunda-feira, 3, e comeu frutas, conversou com estudantes e propôs construir um estacionamento subterrâneo na região por meio de Parceria Público-Privada para oferecer maior conforto aos compradores.

 

Com o início do horário eleitoral na TV, Haddad passou a ser mais conhecido e procurado pela população nas caminhadas de rua, mas nada comparável ao assédio recebido por Netinho nesses eventos, que aproveita o contato com os fãs para apresentar o petista.

 

Ao reconhecer o cantor, a auxiliar de limpeza Iara de Araújo, 36 anos, encostou a vassoura na parede e foi atrás de um abraço. "Vem cá querida, já conhece o Haddad?", perguntou Netinho. "Me falaram dele", Iara respondeu. "Vou te apresentar", disse o cantor, puxando-a para uma foto com o petista.

 

Mais adiante, outro jovem gritou: "Netinho, dá aqui um alô", abrindo o sorriso do cantor. "Rapaz, chega mais, esse aqui é o Haddad, nosso mano!", respondeu.

 

Durante a caminhada, Haddad e Netinho foram convidados pelo vendedor Joenilson de Jesus Silva, 49 anos, a provarem frutas exóticas. A degustação foi longa: eles experimentaram pitaia colombiana ("para combater o estresse do dia a dia"), atemoia ("sabor de leite condensado"), granadilha, decopom ("começa azeda e termina como favo de mel") e mangostinho. "Para, rapaz!", brincou Haddad, diante da empolgação do vendedor. O petista saiu de lá com uma dúzia de mangostins, comprados por uma assessora a R$ 40.

 

Em seguida, Haddad se deparou com um grupo de vinte estudantes de um projeto educacional da BM&F e Bovespa que visitavam o mercado. Eles abordaram o petista e perguntaram sobre projetos para a zona leste, ouvindo a proposta de levar uma universidade federal à região. A professora Karine Durães, 28 anos, gostou da coincidência e estimulou os alunos a falaram com o candidato. "É preciso gostar e se interessar por política para mudar o mundo, que é o que eles tanto desejam", disse.

 

Catarata. Ao final da caminhada, o petista foi abordado pela aposentada Carla Tonelli, 70 anos, que disse acompanhar todos os programas eleitorais de TV. Ela afirmou que espera há dois anos para fazer uma cirurgia de catarata na rede pública de saúde e reclamou do atendimento oferecido pelo Cema, hospital privado conveniado à Prefeitura.

 

"Vejam só, mais um caso daqueles", comentou Haddad, referindo-se à história do caminhoneiro José Machado, que foi personagem de um programa eleitoral do PT no qual também dizia aguardar por uma cirurgia de catarata há dois anos. No dia seguinte, para contradizer o caminhoneiro, a secretaria municipal de Saúde informou ao Estado que o diagnóstico de Machado não era catarata, mas pterígio - crescimento de tecido sobre a córnea - e revelou oficialmente datas de seus exames e procedimentos, levantando a suspeita de quebra de sigilo médico. A divulgação dos dados é investigada pelo Conselho Regional de Medicina e o PT pediu apuração por parte do Ministério Público.

 

Em sabatina no Estado na sexta-feira, 31, o candidato tucano disse que a Prefeitura agiu corretamente ao divulgar dados do prontuário do caminhoneiro. "Foi corretíssimo. Eu teria feito a mesma coisa", afirmou, negando que o caso configure quebra de sigilo médico. Foi "um serviço de utilidade pública", comentou. .

 

A Prefeitura de São Paulo nega que tenha quebrado o sigilo médico de Machado e que haja fila para realizar cirurgia de catarata na rede municipal.

 

Infração. Ao sair do Mercado Municipal, um agente da CET afirmou à reportagem que o veículo usado diariamente por Haddad  - um Ford Fusion preto - tinha uma película escurecedora irregular aplicada no para-brisa dianteiro.

 

Segundo a legislação de trânsito, o para-brisa frontal deve ter uma transparência mínima de 75%, o que restringe a aplicação de películas escurecedoras. A infração é punida com multa de R$ 127,69, cinco pontos na carteira de habilitação e recolhimento do veículo até a retirada da película.

 

Segundo o agente, que não quis se identificar, a transparência no para-brisa do veículo de Haddad era inferior a essa taxa, mas ele não poderia multá-lo pois compete à Polícia Militar fiscalizar esse tipo de acessório.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.