Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

'Nesta operação não tenho nada', diz Maluf sobre esquema de corrupção da Petrobrás

Partido do deputado tem quase metade da bancada na Câmara investigada pela Lava Jato

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

08 de março de 2015 | 17h08

BRASÍLIA - Deputado federal e ex-prefeito de São Paulo procurado pela Interpol, condenado por improbidade administrativa e acusado de lavagem de dinheiro, Paulo Maluf (PP) diz que o fato de o Partido Progressista ser a legenda com o maior número de políticos sob suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras não mancha a imagem da sigla e muito menos a dele. "Está provado e comprovado que nesta operação não tenho nada. Sou um homem correto", afirmou ao Estado.

A lista de pessoas a serem investigadas que foi divulgada pelo Supremo Tribunal Federal na sexta-feira,6, traz 30 integrantes do PP. Constam 18 dos 40 deputados da bancada pepista na Câmara (45%) e três dos cinco senadores do partido (60%), além de ex-parlamentares e um vice-governador. "O partido não sai machucado porque tem um, dois, três ou cinco membros que eventualmente cometam um ilícito. Seria como você condenar todos os engenheiros porque a estação de metrô do Serra caiu", disse em alusão ao acidente na obra da linha amarela do metrô paulistano ocorrido em 2007, quando o hoje senador José Serra (PSDB-SP) era governador de São Paulo.

"A imagem do partido continua ótima porque precisa provar que os 30 são culpados. O partido é uma pessoa jurídica. Você não pode generalizar. O partido como partido continua o melhor partido do mundo. Tanto que estou nele há 48 anos", disse Maluf.

Na lista de investigados estão o presidente do partido, o senador Ciro Nogueira (PI), e o líder da legenda na Câmara, Eduardo da Fonte (PE). Paulo Maluf defendeu que Nogueira se afaste da presidência. "Quem fez tem que pagar. Acho que quem perdeu as condições morais de ser presidente do partido é o Ciro Nogueira. Ele tem que se licenciar", disse.


Questionado se o recomendaria o mesmo para os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também alvo de investigação, Maluf foi mais ameno. "Enquanto investigação, não tem necessidade. Mas, se for aberto processo e provada a culpa, aí teriam que se licenciar", afirmou.

Diante da aparente contradição, Maluf se explicou. "No nosso caso, como tem 30 deputados, tem o presidente do partido e tem senadores, acho que o presidente do partido, no mínimo, perdeu as condições de, em abril, pleitear sua recondução como presidente", afirmou. Maluf nega a prática de qualquer crime. 

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