'Nenhuma autoanistia tem valor', diz jurista

Presidente da Comissão da Verdade da Universidade de São Paulo (USP), o jurista Dalmo Dallari disse, na terça-feira, 21, em entrevista à TV Estadão, que a Lei da Anistia deveria ser aplicada de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Por esses parâmetros, agentes de Estado que cometeram violações de direitos humanos não podem ser anistiados.

ROLDÃO ARRUDA, Agência Estado

22 de maio de 2013 | 08h18

Ao ser indagado sobre a lei sancionada em 1979, Dallari lembrou que a Corte Interamericana já fixou dois pontos fundamentais sobre a questão. O primeiro, segundo o jurista, é que nenhum tipo de autoanistia tem valor: "Anistia para quem anistiou a si próprio não tem validade jurídica."

O segundo parâmetro é que não existe possibilidade de anistia para os chamados crimes contra a humanidade, entre eles a tortura de prisioneiros políticos: "Não são anistiáveis." Para Dallari, a lei não precisa ser mudada. A aplicação dela é que necessita ser revista.

O Supremo Tribunal Federal (STF) tem outra visão do assunto. Em 2010, aquela corte definiu que a lei também beneficiou agentes de Estados acusados de violar direitos humanos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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