André Dusek/Estadão
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Nenhum crime atinge Dilma, diz Cardozo

Na CPI, ministro da Justiça defende a presidente, mas admite que doação declarada ao TSE também pode ser alvo de questionamento

Daniel Carvalho e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2015 | 23h11

Brasília - Em depoimento de mais de seis horas à CPI da Petrobrás, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, eximiu ontem o governo de responsabilidade pela Operação Politeia executada na terça-feira pela Polícia Federal dentro da Lava Jato e afirmou que “nenhum fato relacionado a desvio de dinheiro público, corrupção ou improbidade administrativa chegará perto da presidente Dilma Rousseff”.

“A ação de ontem (terça-feira) não é dirigida pela Polícia Federal. Quando temos investigações de pessoas com foro privilegiado, não é a Polícia Federal que conduz as investigações. Ela é apenas a executora. Quem conduz é o Poder Judiciário”, disse o ministro aos deputados. 

Sobre Dilma, Cardozo afirmou: “Conheço a presidente há muitos anos. É uma pessoa de honestidade inatacável. Não está entre os defeitos da presidente Dilma a desonestidade”. 

Doações. A oposição, por sua vez, comemorou uma declaração do ministro sobre o financiamento de campanha. Apesar de ter defendido “comedimento” na criminalização de doações por empresas envolvidas em corrupção, ele afirmou que, se existirem provas de que o candidato que recebeu os recursos sabia da origem ilícita do dinheiro, a contribuição pode ser criminalizada.

“Se, eventualmente, uma empresa pratica lá uma falcatrua qualquer e doa este dinheiro para alguém sem que este alguém tenha participado ou saiba disso, da origem do dinheiro, ele não pode ser responsabilizado, estava de boa-fé”, completou.

Conforme delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, a campanha de Dilma Rousseff em 2014 recebeu dinheiro proveniente dos desvios na Petrobrás. Diferentemente da presidente, porém, o ministro defendeu o uso da delação. Mas ponderou que tanto delações quanto acordos de leniência “têm que ser bem utilizados”. “Delator pode mentir. O que ele diz não tem valor probatório.”

Foco de críticas dos parlamentares que tiveram casas e empresas alvo de busca e apreensão realizadas pela PF, Cardozo disse que a polícia apenas cumpriu mandados do Supremo Tribunal Federal. “As decisões atinentes à operação foram decorrentes de solicitações de sua excelência o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e de decisões do relator do processo, ministro Teori Zavascki. Não partiu de qualquer situação proveniente do Ministério da Justiça”, defendeu-se. “O mandado foi dirigido à Polícia Federal pelo presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal, o decano daquela Corte, ministro Celso de Mello.” Cardozo negou que a Polícia Federal tenha utilizado helicópteros na operação de anteontem. O ministro disse que as aeronaves vistas eram de emissoras de TV.

O senador Fernando Collor (PTB-AL) foi um dos que criticaram a PF, acusando-a de usar “truculência”. Também investigado na Lava Jato, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), questionou a atuação da polícia, cujos métodos, segundo ele, “beiram a intimidação”. Renan não foi alvo dos mandados de busca.

Criticado por petistas por, segundo eles, não controlar as investigações e os vazamentos de informações, Cardozo defendeu a punição de quem cometeu crimes, inclusive de petistas. “Se, eventualmente, um ou outro militante petista, um ou outro dirigente, incorreu em equívoco, deve pagar o preço. Isso vale para o PT e para todos os partidos. Não podemos ser complacentes com a corrupção, venha de onde vier. Temos que parar com aquela mania de proteger os amigos e pedir a punição para os inimigos.”


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