Nem todos no Fórum de Porto Alegre são antiglobalização

O Fórum Social Mundial é conhecido como um evento antiglobalização. Mas aqui não vêm só pessoas que identificam a globalização com o apocalipse. Nessa variadíssima platéia, há alguns que não lamentam a globalização e acham até possível tirar proveito dela. É o caso do economista holandês Jeroen Klink, secretário de Desenvolvimento e Ação Regional de Santo André, no ABC paulista, veio a Porto Alegre relatar a experiência da Agência Regional de Desenvolvimento Econômico do ABC, que identifica vantagens comparativas na região e capta recursos de organismos multilaterais para projetos de capacitação de empresários e trabalhadores para competir no mundo globalizado. O economista, que antes de se mudar para o Brasil, em 1994, trabalhava na Fundação IHS, da Holanda, captando recursos para projetos na Índia, detecta nesses organismos um interesse crescente por agências como a do ABC, que têm a participação não só de governos locais, mas também das associações de empresários, sindicatos de trabalhadores e universidades. Isso porque projetos conduzidos por governos podem ser abandonados depois de uma eleição, enquanto que esse tipo de agências está imune a instabilidades políticas. "O setor público tem uma participação minoritária (49%) na agência, para dar garantia aos bancos e investidores de que haverá continuidade dos projetos", diz Klink. "Instituições como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) vão privilegiar cada vez mais organismos locais."O BID concedeu financiamento, a fundo perdido, de R$ 500 mil, para um estudo da agência, que entrou com outros R$ 500 mil, sobre os setores produtivos nos sete municípios da região. A partir desse estudo, a agência vai ajudar sobretudo micro e pequenas empresas a "pôr a casa em casa" para se tornarem mais competitivas. Uma das iniciativas que a agência quer promover é a formação de "clusters", aglomerados de empresas de um mesmo setor."É preciso fortalecer as micro e pequenas empresas, que não estão acostumadas a se associar, e evitar o que ocorreu com as fábricas de autopeças, que foram varridas do mapa com a abertura", diz Klink. "Não por culpa da abertura em si. Sem adaptação tecnológica, as empresas teriam dificuldades de qualquer maneira."Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto Alegre

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