Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Nem precisaria ser candidato, mas não posso ser alijado da disputa política, diz Lula

Petista sugere uma nova Constituinte para 'passar o País a limpo'

Marcelo Osakabe e Caio Rinaldi, O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2018 | 19h59

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que não precisaria ser o candidato do PT para a eleição presidencial deste ano, mas que pretende disputar o cargo porque seus adversários querem "alijá-lo" da disputa política. Discursando em um encontro com sindicalistas, organizado na sede do Instituto Lula, na zona sul da capital, o petista repetiu ainda o que disse em suas últimas aparições públicas e acusou seus opositores de "anestesiarem o País" com o discurso de que o PT era uma doença que precisava ser erradicada do País.

"(O PT) tem vários nomes, eu nem precisaria ser candidato. Mas não posso ser alijado da disputa política", disse Lula. Ele disse estar tranquilo para o julgamento da quarta-feira, mas magoado com a "mentira que contaram" os procuradores da Lava-Jato. "Prefiro ser julgado pelo povo brasileiro, que aprendeu a ser possível um Brasil melhor, que é possível comer melhor, trocar de carro, viajar nas férias", afirmou. "Não posso aceitar isso depois de tudo que fizemos neste País pela democracia. (E) se tivesse uma pena de culpa, não estaria olhando na cara de vocês."

 

Criticando medidas adotas pelo governo do presidente Michel Temer,  Lula afirmou que são necessárias eleições diretas para passar o País a limpo. "Quem sabe até uma nova Constituinte", acrescentou. O petista ainda sinalizou que parte dos ataques que recebe são motivados pela desorganização entre seus opositores. "Eles estão numa situação muito difícil, com todas as pesquisas mostrando que estou à frente. E pior, eles ainda não têm candidato."

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Segundo o líder petista, esse cenário estaria levando ao surgimento de nomes como a do apresentador de TV Luciano Huck, que, nas suas palavras, seria o candidato da Ambev, e de outras candidaturas "anti-Lula". "Foi assim com o Collor em 1989, e deu no que deu", ironizou.

Reforma trabalhista. O ex-presidente também aproveitou o encontro com os sindicalistas para criticar a reforma trabalhista feita pelo governo Temer. 

o petista disse que tentou aprovar uma reforma sobre o tema em seu governo e que jamais imaginou que seus adversários tivessem a "petulância" de aprovar um projeto como o que acabou passando.

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"Uma reforma se faz colocando as partes interessadas sobre a mesa. Não se impõe o direito dos empresários sobre a classe trabalhadora", disse no encontro, que foi transmitido pela sua página no Facebook. Lula criticou especialmente a instituição do trabalho intermitente e o fim da contribuição sindical. "Tem muito fascista querendo acabar com a representação sindical. Eles simplesmente acabaram com o imposto sindical, mas os 2% que o Sistema S recebe eles não falaram na reforma", reclamou.

Lula foi o último a falar no encontro, que teve participação de representantes da CUT, UGT, FSB, Intersindical, CTB e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, entre outras entidades. Antes dele, Ivone Maria da Silva, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, disse que a sua entidade apoiava a causa do petista porque agora os trabalhadores não conseguem "nem entrar na porta do Palácio (do Planalto). "Defendemos candidato que saiba o que é democracia, que defenda todos e não apenas os empresários e que pense um Estado que seja para todos", disse.

Antes dela, foi a vez de Gerardo Iglesias, secretário regional União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação, Agrícolas, Hotéis, Restaurantes e Afins (UITA). "Até os juristas, que não têm nenhuma identidade com a esquerda, começam a dizer que o processo é viciado e que tentam te tirar da presidência da República", disse. 

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